Lucas Paquetá. Foto: Reprodução
Por: Gabriel Harchbart
Pouca coisa escancara mais a diferença entre “time grande” e “gestão grande” do que um clube brasileiro voltar ao mercado europeu e colocar mais de 40 milhões de euros na mesa para trazer um jogador formado em casa.
A negociação do Lucas Paquetá pelo Flamengo, por um valor acima de 40 milhões de euros, é mais do que uma contratação. É um sintoma de capacidade. Capacidade de gerar caixa, financiar investimento, sustentar folha, absorver risco e, principalmente, tomar decisão grande sem colocar a instituição em risco.
E aqui entra a parte que pouca gente quer ouvir: isso não nasceu em 2019, nem em uma “fase boa”. Esse patamar começa a ser construído em 2012, quando o Flamengo decide trocar o improviso por governança.
Em 2012, o clube estava pressionado por dívida, por credibilidade baixa e por uma cultura onde o curto prazo sempre vencia. A virada começa quando a pauta passa a ser responsabilidade financeira, compliance, orçamento, controle e profissionalização.
Na prática, foi a introdução do que qualquer empresa madura reconhece:
É a fase em que o clube aceita pagar o preço impopular: cortar excessos, organizar contratos, renegociar dívida, melhorar controles e reconstruir confiança no mercado.
A década passada ensinou uma verdade dura: não existe performance sustentável com caixa frágil.
O Flamengo foi construindo musculatura financeira e institucional enquanto muita gente avaliava só pelo placar. E aqui tem um ponto de gestão que vale ouro: infraestrutura e base não geram manchete no dia seguinte, mas geram ativo por anos.
CT, formação, estrutura médica, governança, capacidade de planejamento — tudo isso vira “vantagem competitiva invisível”. A torcida vê a taça. A gestão vê o que vem antes dela: processo, rotina, contratação certa, custo certo, risco controlado.
Quando a casa está organizada, a decisão muda de natureza. Você deixa de “contratar para apagar incêndio” e passa a alocar capital como organização.
A lógica fica parecida com empresa:
É por isso que, num clube bem gerido, uma contratação grande não é “loucura”. É estratégia. E estratégia, quando bem executada, vira dinheiro, reputação e poder de atração.
Trazer Paquetá por esse valor é, também, uma mensagem institucional:
“Temos estrutura para repatriar elite, porque temos mecanismo para sustentar elite.”
E isso conversa com três pilares que qualquer negócio deveria copiar:
No fim, futebol é só o palco mais visível de uma regra universal:
boa gestão não garante vitória em um jogo — mas aumenta brutalmente a probabilidade de vencer campeonatos.
E no mercado — seja de talentos, seja de dinheiro, seja de oportunidades — quem tem gestão profissional compra mais do que jogadores. Compra futuro.