Leandro Kästrup. Foto: Divulgação
A história de Leandro Kästrup não cabe em uma única definição. Piloto de avião internacional por mais de duas décadas, com mais de 10 mil horas de voo em aeronaves Boeing e Embraer, ele escreveu sua história cruzando continentes, lidando com culturas diversas e enfrentando, diariamente, a responsabilidade de conduzir centenas de vidas a milhares de metros de altitude.
Antes de ocupar o cockpit de gigantes como o Boeing 767, Leandro precisou lidar com uma realidade comum a muitos brasileiros: a ausência de conexões e de recursos para começar. Ainda assim, escolheu um caminho improvável. “Eu entrei na aviação sem conhecer ninguém, sem ter dinheiro. Fiz isso com muito custo, foi realmente uma dedicação muito grande”, relembra.
Ao longo dos anos, a aviação lhe ofereceu conquistas, mas também cobrou seu preço. A rotina intensa, as constantes mudanças de fuso horário e o distanciamento da vida pessoal começaram a pesar com o tempo. “A aviação é belíssima, eu sou muito grato, mas ela também tem desafios. Conforme você começa a envelhecer, o seu corpo sente mais, e a rotina de madrugadas e longos períodos fora de casa pesa”, explica.

Leandro Kästrup. Foto: Divulgação
A virada aconteceu com o nascimento do filho, Samuel. A partir desse momento, Leandro passou a questionar se aquela ainda era a vida que desejava levar. A resposta o conduziu a um novo movimento, talvez o mais ousado de sua trajetória: a transição de carreira. Deixar para trás uma profissão consolidada para começar novamente em outro setor exigiu preparo e, sobretudo, coragem.
Essa mudança, porém, não foi impulsiva. Ao longo dos anos, ele foi costruindo uma base sólida fora da aviação, com formação em Ciências Aeronáuticas e três pós-graduações nas áreas de gestão, finanças e engenharia, além de experiências em negócios paralelos. O convite para assumir como CEO de uma das maiores indústrias do setor automotivo no mercado de reposição foi, portanto, consequência de um planejamento consistente de sua carreira.
Hoje, à frente de uma operação de grande porte, Leandro reconhece que as semelhanças entre pilotar uma aeronave e liderar uma indústria são mais profundas do que parecem. “Comandar uma fábrica tem muito em comum com pilotar um avião: exige visão, precisão e, principalmente, trabalho em equipe”, afirma. A diferença está no tipo de turbulência, agora, mais ligada à gestão de pessoas e à tomada de decisões estratégicas.
E é justamente nesse campo que ele encontrou sua verdadeira vocação. “Eu acordo todos os dias com a mentalidade de que estou aqui para resolver problemas. Lidar com desafios e com pessoas é o que eu amo fazer”, diz. A rotina intensa, antes vivida nos céus, agora se traduz em decisões que impactam diretamente equipes, produção e posicionamento de mercado da empresa.

Leandro Kästrup. Foto: Divulgação
Paralelamente à atuação executiva, Leandro mantém uma conexão forte com uma de suas grandes paixões: o automobilismo. Admirador declarado da Fórmula 1, ele carrega consigo referências que dialogam diretamente com sua própria história. Esse interesse vai além da admiração. Ele participa ativamente do universo das corridas, produz conteúdo sobre o tema e já esteve em competições, como uma prova recente em Interlagos, onde pilotou um Opala de corrida. O próximo objetivo é disputar a AMG Cup, categoria ligada à Mercedes-Benz no Brasil, ampliando sua presença em um ambiente que sempre o inspirou.
Natural de São Paulo e capixaba de coração, a relação com o Espírito Santo também representa um capítulo importante dessa fase. Após anos vivendo em diferentes países e cidades, foi no estado que decidiu ficar. O local, segundo ele, oferece o equilíbrio que buscava entre vida profissional e pessoal, especialmente após a chegada do filho.
Leandro define seu momento atual como uma construção contínua de quem deseja ser. Entre a liderança na indústria, o envolvimento com o setor produtivo e a paixão pelas corridas, existe um objetivo central que guia suas escolhas: evoluir como indivíduo. Para ele, o maior desafio não está mais em cruzar oceanos ou assumir novas posições, mas em se tornar, todos os dias, uma versão melhor de si mesmo.

Leandro Kästrup. Foto: Divulgação