Por: Bianca Tápias
Durante muito tempo, o trabalho de um chef era medido pela movimentação do salão, pelas reservas disputadas e, claro, pela qualidade dos pratos que saíam da cozinha. Hoje, a realidade inclui outro espaço igualmente importante: as redes sociais. Entre receitas, bastidores e vídeos que revelam a rotina por trás de um restaurante, chefs capixabas vêm transformando Instagram e TikTok em ferramentas de conexão, divulgação e construção de marcas.
A mudança não aconteceu apenas porque o mundo ficou mais digital, mas porque o público também mudou. As pessoas querem saber de onde vêm os ingredientes, conhecer quem prepara os pratos e acompanhar histórias que vão além do que chega à mesa. Nesse cenário, os profissionais da gastronomia encontraram uma forma direta de apresentar seu processos, suas referências e, principalmente, a riqueza dos sabores capixabas.
O resultado é uma gastronomia mais próxima, menos formal e muito mais acessível. Entre uma receita de família, um vídeo sobre escolha do pescado do dia e a eterna discussão sobre a quantidade ideal de coentro na moqueca, os seguidores passam a acompanhar não apenas o prato finalizado, mas tudo o que acontece antes dele existir.
Essa presença digital também tem ajudado a ampliar a visibilidade da culinária do Espírito Santo. Ingredientes regionais, produtores locais, cafés especiais e receitas tradicionais ganham espaço em uma vitrine capaz de alcançar muito além das fronteiras do estado. Ao mesmo tempo, uma nova geração de chefs utiliza as plataformas para mostrar uma gastronomia contemporânea, criativa e conectada às suas raízes.
Em um ambiente onde tendências surgem e desaparecem na velocidade de um deslize de tela, o que mais chama atenção não é apenas a estética impecável dos pratos, mas a autenticidade. E talvez seja justamente aí que esteja o segredo dos chefs capixabas: usar a tecnologia para contar histórias reais, sem abrir mão da identidade que faz da gastronomia local um dos maiores orgulhos do Espírito Santo.