Por: Bianca Tápias
Existe uma explicação para a pizza ocupar um lugar tão especial no imaginário coletivo: ela simplesmente funciona. Serve para reunir amigos, resolver um jantar de última hora, celebrar aniversários, acompanhar uma sexta-feira preguiçosa ou até consolar um segunda-feira particularmente difícil. Poucos pratos conseguem atravessar tantas ocasiões sem perder o encanto.
Embora tenha sido eternizada pelos italianos, especialmente em Nápoles, onde ganhou a forma que conhecemos hoje, a pizza percorreu um longo caminho até conquistar o mundo.
Das antigas massas achatadas consumidas por diferentes civilizações às pizzarias espalhadas pelos cinco continentes, ela se reinventou inúmeras vezes sem abrir mão daquilo que realmente importa: uma boa massa, ingredientes de qualidade e tempo. E talvez seja justamente esse último ingrediente que mais tenha se perdido pelo caminho.
Na pressa do dia a dia, nem sempre encontramos pizzas que respeitem a fermentação, o descanso da massa e o cuidado artesanal que transformam uma receita simples em uma experiência memorável. Felizmente, o Espírito Santo acompanha uma tendência que valoriza novamente esses processos. Cada vez mais pizzarias e pequenos produtores apostam em fermentação natural, farinhas selecionadas e receitas que devolvem protagonismo ao que acontece antes mesmo da cobertura chegar à massa.

Chef Renata Leão
Foi pensando nisso que convidamos a chef Renata Leão para compartilhar uma receita que permite levar um pouco dessa experiência para dentro de casa.
Formada em Ciências Biológicas pela UFES, Renata atuou durante anos como professora antes de se formar em Gastronomia e transformar a paixão pela cozinha em profissão. Hoje é especialista em massas artesanais de fermentação natural, proprietária de um ateliê de massas artesanais e também instrutora de gastronomia, unindo duas vocações que marcaram sua trajetória: ensinar e cozinhar. O resultado aparece em receitas que valorizam a técnica sem perder a simplicidade, mostrando que paciência e bons ingredientes costumam fazer mais diferença do que qualquer atalho.
A massa que ela compartilha nesta edição é um ótimo exemplo disso. Com poucos ingredientes e uma fermentação lenta, desenvolve sabor, leveza e uma textura que dificilmente se consegue em preparos apressados. Depois, basta escolher a cobertura favorita e deixar que o forno faça o restante do trabalho.
Rendimento: 1 pizza grande ou 2 pequenas
Ingredientes
● 250 g de farinha de trigo
● 130 g de agua
● 5 g de sal
● 2,5 g de fermento biologico seco
● 2,5 g de açucar
● 12,5 g de azeite
Modo de preparo
(Método com fermentação longa)
Dissolva o fermento na água e misture todos os ingredientes à mão ou na velocidade 1 da batedeira, seguido a ordem: farinha, água com fermento, sal e, por último, azeite.
Sove bem a massa (velocidade 2 na batedeira) até obter uma textura lisa e homogênea. Modele a massa em uma bola, coloque em um recipiente untado com azeite, cubra com plástico filme e deixe fermentar por cerca de 1 hora, ou até dobrar de volume.
Divida a massa nas porções desejadas e boleie. Acomode cada bola de massa em recipientes individuais com tampa, levemente untados, deixando espaço para o crescimento da massa. Leve à geladeira por um período de 24 a 72 horas, conforme a intensidade de
sabor desejada.
No dia do preparo, retire a massa da geladeira entre 1 e 2 horas antes de usar. Abra os discos manualmente, preservando as bolhas formadas, adicione a cobertura desejada e asse normalmente.
Marguerita
Molho de tomate, mussarela, tomate fresco, folhas de manjericão e azeite extravirgem após assar.
Calabresa acebolada
Molho de tomate, mussarela, calabresa fatiada, cebola, orégano e um fio de azeite.
Nutella com morangos
Creme de avelã, morangos frescos fatiados e, se desejar, açúcar de confeiteiro ou raspas de chocolate para finalizar.
E para você, qual é a pizza que merece um lugar de destaque? Conte para a gente qual é o seu sabor preferido e aproveite para marcar aquela pizzaria capixaba que nunca decepciona.