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Apartamentos compactos crescem no ES e aumentam o desafio da manutenção dos condomínios

Publicado em: 17/09/2026

Praia do Canto, Vitória. Foto: Ricardo Medeiros

Por: Filipe Machado

 

Os apartamentos compactos vêm ganhando espaço no mercado imobiliário capixaba e já representam 43,6% das vendas no Espírito Santo. Studios e unidades menores atraem compradores pela praticidade, localização e possibilidade de investimento, principalmente em regiões com alta demanda por locação.

Mas existe um ponto que costuma receber menos atenção durante a compra: o apartamento pode ser menor, enquanto a estrutura do condomínio se torna cada vez mais complexa.

Os novos empreendimentos oferecem coworking, lavanderia compartilhada, academia, piscina, minimercado, áreas gourmet, controle eletrônico de acesso, sistemas de segurança, automação e uma série de outros serviços e equipamentos. Tudo isso agrega valor ao imóvel, mas também gera responsabilidades futuras de operação, conservação e manutenção.

 

Apartamento menor não significa prédio mais simples

Na hora de comprar um studio ou apartamento compacto, é comum que o comprador analise o preço da unidade, a localização, o potencial de valorização e o valor estimado da taxa condominial. Entretanto, poucos avaliam a quantidade de sistemas que precisarão ser mantidos ao longo dos próximos anos.

Elevadores, bombas, portões, equipamentos de piscina, instalações elétricas, sistemas de prevenção e combate a incêndio, impermeabilização, fachadas e equipamentos eletrônicos possuem vida útil e ciclos de manutenção. Por isso, uma boa gestão da manutenção predial precisa começar desde os primeiros anos da edificação.

Quando pequenos problemas são ignorados, eles podem evoluir para intervenções maiores e mais caras. Uma infiltração aparentemente simples, por exemplo, pode comprometer revestimentos e outros elementos. Um problema de impermeabilização pode atingir diferentes unidades. A falta de manutenção de equipamentos também pode resultar em substituições antes do período esperado.

 

Condomínio barato nem sempre é condomínio bem administrado

Um dos principais erros é avaliar a qualidade da gestão exclusivamente pelo valor da taxa condominial. É natural que moradores desejem reduzir despesas. Entretanto, diminuir custos adiando manutenção pode criar uma falsa economia.

Uma administração eficiente precisa encontrar equilíbrio entre despesas correntes, contratos, fundo de reserva e planejamento das intervenções futuras. É justamente nesse ponto que a inspeção predial e o acompanhamento técnico podem contribuir para identificar problemas, estabelecer prioridades e organizar investimentos ao longo do tempo.

O objetivo não é simplesmente gastar mais, mas gastar no momento correto e nas intervenções realmente necessárias.

 

Short stay também muda a dinâmica do condomínio

Outro fenômeno relacionado aos apartamentos compactos é o crescimento das unidades destinadas à locação de curta duração. Dados recentes do mercado capixaba apontam milhares de unidades desse perfil em Vitória e Vila Velha.

Esse modelo pode aumentar a rotatividade de usuários e alterar o padrão de utilização das áreas comuns. Elevadores, corredores, portas, mobiliário, piscinas, academias e outros espaços compartilhados passam a receber um fluxo diferente daquele encontrado em condomínios predominantemente residenciais.

Isso não significa que o short stay seja necessariamente um problema. Significa apenas que o plano de manutenção e a gestão do condomínio precisam considerar a forma como a edificação é realmente utilizada.

 

O comprador também precisa olhar para o condomínio

Quem compra um imóvel compacto como investimento normalmente calcula preço de aquisição, aluguel esperado, valorização e retorno financeiro. Mas o custo condominial também precisa entrar nessa análise.

Um empreendimento com muitos equipamentos, sistemas tecnológicos e áreas comuns pode exigir contratos de manutenção especializados e investimentos futuros. Da mesma forma, edifícios bem planejados e administrados tendem a preservar melhor suas condições de uso e seu patrimônio ao longo dos anos.

Por isso, antes de comprar, algumas perguntas são importantes:

  • quais equipamentos e sistemas existem no condomínio;
  • qual a previsão de despesas de manutenção;
  • se existe planejamento preventivo;
  • como funciona o fundo de reserva;
  • quais contratos de manutenção serão necessários;
  • quais custos podem surgir após os primeiros anos de utilização.

 

O desafio agora é conservar o patrimônio

O crescimento dos apartamentos compactos mostra que o mercado imobiliário do Espírito Santo está mudando. Os prédios estão mais tecnológicos, compartilhados e equipados. O desafio daqui para frente será garantir que toda essa estrutura continue funcionando adequadamente ao longo dos anos.

A discussão, portanto, não deve ser apenas sobre quanto custa comprar um apartamento, mas também sobre quanto custa manter o edifício onde esse apartamento está inserido. Para compradores, investidores, síndicos e moradores, esse entendimento pode fazer diferença tanto na conservação do imóvel quanto na valorização do patrimônio.

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