Foto: Lucas Donato/ TV Vitória
Por: Filipe Machado
Ocorrências registradas em Pedro Canário e Vila Velha em menos de 24 horas deixaram dois trabalhadores mortos e três feridos
Dois graves acidentes relacionados a obras foram registrados no Espírito Santo em menos de 24 horas.
Em Pedro Canário, a estrutura de um galpão em construção desabou enquanto trabalhadores atuavam na cobertura. Um trabalhador morreu e dois ficaram feridos. No dia seguinte, em Vila Velha, um acidente durante uma demolição deixou outro trabalhador morto e um ferido.
As causas dos dois episódios ainda deverão ser esclarecidas pelas investigações. Não é tecnicamente correto, portanto, relacionar os acidentes a determinada falha antes das perícias.
Mas os casos colocam em evidência um aspecto fundamental da construção civil: segurança começa no planejamento.
Quando observamos uma edificação pronta, enxergamos sua condição final. Durante uma obra, porém, a realidade é diferente.
Estruturas estão sendo montadas, elementos podem estar temporariamente escorados, paredes são retiradas, cargas são movimentadas e trabalhadores permanecem próximos dessas intervenções.
Por isso, não basta saber como a obra ficará depois de concluída. É necessário avaliar como ela permanecerá segura durante cada etapa da execução.
Em trabalhos de demolição, essa atenção precisa ser ainda maior. Retirar um elemento sem avaliar previamente sua função e sua relação com o restante da estrutura pode criar situações de risco.
Uma boa gestão de obra envolve projeto, método executivo, análise de risco, registros e fiscalização e acompanhamento técnico.
Isso não significa que todo acidente seja consequência da ausência desses procedimentos. Somente as investigações podem determinar o que ocorreu nos casos desta semana.
Mas significa reconhecer que a engenharia possui ferramentas para antecipar inúmeros riscos.
A prevenção também passa pela avaliação das edificações existentes. A inspeção predial permite identificar anomalias, falhas e situações que precisam ser tratadas antes de determinadas intervenções.
Depois de um acidente, normalmente perguntamos o que poderia ter sido feito.
Na engenharia, essa pergunta precisa acontecer antes.