Entre paisagens, cores, luzes e detalhes que muitas vezes passam despercebidos no cotidiano, Rodrigo Coutinho encontrou na fotografia uma maneira única de enxergar e compartilhar o Espírito Santo. Artista e fotógrafo autodidata, ele transformou o interesse por registros visuais em uma forma de expressão que ganhou espaço nas redes sociais, onde fotos e vídeos de diferentes regiões capixabas são compartilhados por milhares de pessoas e páginas.
Natural de Vitória, criado no bairro Andorinhas, Rodrigo tem 37 anos, é servidor público e especialista em Direito Penal e Processual Penal. A rotina ligada ao universo jurídico e ao serviço público convive com um lado artístico que o acompanha há anos. Pai de Ravi, que está próximo de completar um ano, ele conta que a chegada do filho também trouxe novas formas de perceber o mundo e intensificou os momentos de descoberta em família pelo estado.
Rodrigo começou a fotografar de maneira autodidata há muitos anos, movido pela vontade de observar e registrar aquilo que considerava singular. A partir de 2019, passou a estudar fotografia de forma mais dedicada e, com o tempo, começou também a oferecer a possibilidade de transformar os registros em quadros. Para ele, a imagem ultrapassa o simples ato de fotografar.
“Tenho a fotografia como uma terapia, algo que sinto que me faz conectar melhor com o mundo e com as pessoas também”, afirma Rodrigo. A relação com a fotografia, segundo ele, está ligada tanto à criação quanto à experiência de estar presente nos lugares que escolhe registrar.

Foto: Rodrigo Coutinho
Esse olhar artístico também tem relação com outra fase de sua história. Por volta de 2014, Rodrigo começou a trabalhar com artes plásticas depois de se deparar com um quadro em uma feira de artesanato em Vitória. Sem condições de comprar a peça, decidiu criar algo semelhante utilizando pregos e madeira. A experiência abriu caminho para dezenas de outros trabalhos, que misturavam tintas, linhas, telas, madeiras, objetos reciclados e diferentes materiais. Durante dois anos, ele realizou exposições pela cidade.
Embora atualmente não exerça a atividade como antes, Rodrigo mantém a arte como parte de quem é. A fotografia acabou se tornando uma das principais maneiras pelas quais essa criatividade continua presente em sua vida.

Foto: Rodrigo Coutinho
É justamente nas paisagens capixabas que esse olhar encontra um de seus principais espaços de expressão. Rodrigo não fotografa pensando apenas no que acredita que o público gostaria de ver. A proposta, segundo ele, é registrar aquilo que desperta sua atenção e traduzir, por meio das imagens, a maneira como enxerga os lugares. “Sou feliz quando os registros se tornam uma forma de materializar algumas ideias, dar vida ao imaginário e realçar a nossa beleza e privilegio de vivenciar um cotidiano tão iluminado e agraciado”, diz.
Para encontrar uma imagem, ele acredita que é preciso mais do que simplesmente apontar a câmera para uma paisagem. Em sua própria cidade, Vitória, ele procura observar o cotidiano como se fosse um turista, entendendo que um mesmo lugar pode apresentar novas possibilidades a cada dia. Durante as viagens, a estratégia é se permitir uma experiência mais profunda, observando cultura, tradição, natureza, luzes, sombras, cores e pequenos elementos que compõem o cenário.
“É fácil se motivar a registrar a beleza do Espírito Santo, um estado tão lindo, rico e belo, que não é gigante em dimensão, mas imenso e imerso em beleza, em vida e em cores”, destaca.
Para Rodrigo, fotografar uma cachoeira, por exemplo, significa observar as árvores, raízes, galhos, flores, folhas, animais, contrastes e movimentos ao redor. A intenção é registrar não somente aquilo que estava diante da câmera, mas a experiência vivida naquele momento.

Foto: Rodrigo Coutinho
Essa forma de enxergar também ajuda a explicar a repercussão de seu trabalho nas redes sociais. Seus conteúdos são compartilhados por milhares de pessoas e páginas, ampliando o alcance das paisagens que registra. Rodrigo encara esse reconhecimento com satisfação, mas afirma que os números não são o principal objetivo. Para ele, a identidade e a autenticidade do conteúdo têm mais importância do que perseguir métricas.
“Quando compartilham os meus conteúdos, o Espírito Santo também é compartilhado e o meu olhar também”, afirma. Cada fotografia ou vídeo, segundo Rodrigo, carrega escolhas pessoais, desde a paisagem registrada até a música, a legenda e a maneira de apresentar aquele momento. O resultado é uma produção que procura preservar sua própria identidade e sua maneira de interpretar o estado.
Nos próximos anos, ele pretende continuar encontrando tempo para viver essas experiências e ampliar sua relação com a fotografia. Entre os projetos que considera está a realização de uma exposição dedicada às belezas capixabas, além da possibilidade de começar a produzir ensaios externos. O artista também demonstra interesse em continuar experimentando e encontrando prazer no processo de criação.
E, quando fala sobre o que significa ser capixaba, a resposta retorna ao ponto que atravessa toda a sua produção: a relação com o lugar onde vive.
“Felicidade em viver em um estado tão lindo, composto por muitas belezas naturais e por pessoas incríveis. Muita gente linda e batalhadora vivenciando o cotidiano e desbravando a beleza capixaba”, conclui Rodrigo.
Entre o trabalho, a arte, a fotografia e a vida em família, Rodrigo encontra novas formas de olhar para um Espírito Santo que, para ele, nunca é exatamente o mesmo a cada novo registro. Seu trabalho e suas obras são verdadeiros Orgulhos.

Foto: Rodrigo Coutinho