Marcelo Santos Neves. Foto: Arthur Louzada
Por: Ivy Coutinho
Antes de se tornar o nome por trás de um dos projetos gastronômicos mais emblemáticos do Estado, Marcelo Santos Neves foi um jovem que aprendeu cedo o valor da disciplina. Aos 42 anos, ele carrega no olhar atento e no discurso preciso a marca de quem foi atleta, competiu, sonhou alto e soube, no momento certo, redesenhar o próprio caminho.
“Eu fui um atleta. Joguei tênis, tentei seguir profissionalmente e depois decidi cursar Administração, jogando pela universidade”, relembra. A escolha de abrir mão do circuito profissional não significou abandonar o esporte, mas ampliar horizontes. Ele seguiu para os Estados Unidos, onde cursou Administração no Concordia College, em Nova York, conciliando os estudos com o tênis universitário e, sem saber, plantando as sementes do que viria a se tornar o Empório Joaquim.
Foi ali, longe de casa, que ele começou a observar o mundo com outros olhos. “Eu vivi e conheci muitos modelos de negócio de gastronomia nos Estados Unidos, consumindo como cliente e também trabalhando nas férias. Aquilo me chamou muito a atenção e despertou a vontade de, um dia, ter um negócio nesse universo”, conta.
Entre clubes de luxo, atendimento a públicos exigentes e operações sofisticadas, o profissional passou a entender a gastronomia como experiência.
Empórios que integravam loja, bistrô e café em um mesmo espaço ficaram gravados na memória. Um deles, em especial, tornou-se referência. “Era um lugar onde você podia sentar, comer um lobster roll e, ao mesmo tempo, comprar um azeite especial ou um molho exclusivo. Aquilo ficou muito marcado para mim”. Essa vivência internacional ajudou a moldar seu repertório estético, sensorial e, sobretudo, estratégico.
De volta ao Brasil, a gastronomia ainda não era o destino imediato. Marcelo construiu uma carreira sólida fora desse universo, atuando por 12 anos na construção civil como diretor comercial de uma empresa familiar. Atendeu novamente um público de alto padrão, desenvolveu visão de gestão, relacionamento e serviço. Tudo isso, mais tarde, faria diferença.
O Empório Joaquim não nasceu de impulso. Foi um projeto amadurecido ao longo de anos e desenhado em sintonia com a trajetória da irmã, Patrícia Santos Neves, que decidiu seguir a Gastronomia, se especializou na Itália pela ICIF e aprofundou sua formação em São Paulo. “Esse modelo foi sendo desenhado junto com a Patrícia, a partir das nossas viagens e vivências. Foi um projeto pensado cinco, seis anos antes da inauguração, muito bem planejado”, explica.

Com a irmã, Patricia. Foto: Arthur Louzada
Inaugurado na Praia do Canto, o Empório chegou com uma proposta clara: ir além do ato de comer. Unir curadoria rigorosa de produtos, técnica gastronômica e excelência em hospitalidade. O modelo integrado, que reúne empório, delicatessen, padaria artesanal, bistrô, encomendas e eventos, foi pioneiro no Estado e rapidamente se tornou referência. “Desde o início, a essência sempre foi a curadoria de produtos de qualidade, com inspiração no Brasil e no que existe de melhor no mundo, aliada à excelência em atender e servir”, afirma.
Os desafios vieram junto com o sucesso. Ajustes, aprendizados e decisões difíceis fizeram parte do caminho. “A gente vem aprendendo desde a abertura. Foi a primeira vez que operamos um negócio tão completo e integrado”, diz. Durante a pandemia, a reinvenção foi inevitável. O Joaquim precisou se redesenhar duas ou três vezes, levando sua experiência para dentro da casa dos clientes. Foi nesse período que o serviço de encomendas se fortaleceu e se consolidou como frente estratégica.
O crescimento sempre foi planejado. Em 2024, a marca ganhou um novo capítulo com a inauguração do Joaquim Bakery & Café, também na Praia do Canto. Um espaço mais cosmopolita, com brunch all day, fish bar e bar de drinks inspirados nos clássicos nova-iorquinos. “Sentíamos a necessidade de um espaço mais descolado, que permitisse o brunch a qualquer hora, o bar de drinks e o fish bar, algo que não cabia na unidade original”, explica. Ali, o lobster roll, pioneiro no Espírito Santo, mostra a identidade marítima e internacional da marca.
A curadoria segue sendo o fio condutor de tudo. Dos pães de fermentação natural aos pratos autorais, dos drinks clássicos às criações próprias. O coquetel US Open, por exemplo, carrega diretamente a influência do tênis e da vivência internacional de Marcelo.
No campo pessoal, os valores são claros e sustentam o negócio. “Humildade e respeito. Tratar todos com respeito, especialmente os colaboradores, e ter uma visão de médio e longo prazo”, resume. À frente do Joaquim, ele se reconhece mais atento, mais exigente e mais cuidadoso. “O Empório me tornou uma pessoa mais perfeccionista e cuidadosa com cada detalhe”, admite.
Às vésperas de completar sete anos, o estabelecimento celebra um legado consistente. Para Marcelo, a marca ajudou a elevar o patamar da gastronomia capixaba ao trazer referências internacionais sem perder identidade. “Construímos uma marca que trabalha com excelência e traz para os capixabas o que há de melhor no mundo da gastronomia, sempre com inovação”, afirma.
O futuro segue aberto, com planos de expansão na Praia do Canto e em outros bairros da Grande Vitória. “Queremos continuar inovando, trazendo novidades e ampliando nossa presença, sempre prezando pela experiência dos clientes e também o cuidado com o nosso time”, conclui.
Histórias como a de Marcelo mostram que sucesso não nasce do acaso. Ele é construído com disciplina, repertório, escuta e respeito ao tempo.