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A mente financeira que fez empresas crescerem

Publicado em: 24/02/2026

Thiago Adame. Foto: Cacá Lima

Por: Ivy Coutinho

 

Há trajetórias que não começam com um cargo, um diploma ou um plano perfeito. Começam com urgência, coragem e a disposição silenciosa de aprender tudo o que a vida colocar pela frente. A história de Thiago Adame é exatamente assim.

Ele tinha apenas 17 anos quando entrou como estagiário no Grupo Águia Branca, na unidade de passageiros da Viação Águia Branca. Era terceiro ano do ensino médio, setor de departamento pessoal dentro da controladoria, um ambiente técnico para um menino que ainda estava descobrindo o próprio futuro. Mas foi ali que algo se acendeu. A proximidade com a contabilidade, somada à influência de uma família de contadores que ele viria a integrar ao se casar anos depois, desenhou um caminho.

Thiago não teve ascensão meteórica. Teve construção. Foi estagiário, prestador de serviço, auxiliar, assistente, analista, coordenador. Mais de uma década aprendendo por dentro, resolvendo problemas reais, criando soluções onde antes havia gargalos. Um de seus projetos automatizou a conciliação bancária de milhares de pontos de venda espalhados pelo país, reduzindo riscos e trazendo controle onde antes havia incerteza. Ganhou prêmios internos, reconhecimento e, sobretudo, maturidade.

Mas maturidade também é saber a hora de sair. Ao perceber que o crescimento seria seguro, porém lento, decidiu se preparar para o salto. Investiu em um MBA na Fundação Getúlio Vargas. Foi uma aposta corajosa para alguém que não tinha sobra de recursos, apenas clareza de propósito.

Foto: Cacá Lima e Arthur Louzada

A oportunidade surgiu em uma empresa menor àquela época, a Maely, em Vitória. Trocar um gigante por uma companhia de 40 funcionários parecia um risco. Para ele, era exatamente o que procurava: desafio. Organizou finanças, renegociou dívidas, estruturou fluxo de caixa, trouxe fôlego para uma empresa sufocada por investimentos sem planejamento. Em menos de um ano, já era gerente.

Ali também assumiu algo que se tornaria marca de sua carreira: quando a empresa é pequena, você não cuida só de números, cuida de tudo. Controladoria, RH, TI, suprimentos, departamento pessoal. Liderar, nesse contexto, é servir.

O passo seguinte mudaria definitivamente sua trajetória. Em 2015, foi convidado a assumir a gerência financeira da MedSênior, então uma empresa regional com grande geração de caixa e enormes desafios de crescimento. Implantou cultura orçamentária, planejamento estratégico, acompanhamento rigoroso de resultados. Estruturou bases que permitiram expansão sólida.

Maely Coelho Filho, Maely Coelho, ambos da MedSênior, Alecsandro Casassi e Thiago Adame. Foto: Cacá Lima e Arthur Louzada

Com o tempo, tornou-se diretor e hoje ocupa a Cadeira de Diretor de Finanças, participando da gestão financeira e de decisões estratégicas, governança, relacionamento com investidores e até da estruturação de um family office após operações societárias relevantes. Esteve em agendas na Faria Lima e no exterior apresentando a tese da companhia, traduzindo números em confiança.

Mas nenhuma trajetória é feita só de cargos. Thiago também construiu uma vida fora das planilhas. Casou-se em 2012, praticamente no mesmo momento em que iniciava uma das maiores transições profissionais. Hoje é pai de Bento e Ana, duas crianças que, imagino, pouco se importam com o fluxo de caixa. E talvez seja exatamente isso que o mantenha um cara muito humano, extrovertido.

O que mais me toca em sua história não são os títulos, e sim a coerência. Um jovem que começou cedo porque precisava trabalhar, que estudou porque quis crescer, que mudou de rota quando percebeu que era necessário e que nunca teve medo de trocar conforto por possibilidade. Histórias como a dele nos lembram que sucesso raramente é um salto. É uma soma silenciosa de escolhas difíceis feitas na hora certa. E, no fim, talvez seja isso que realmente inspira: não o cargo de CFO, mas o menino de 17 anos que entrou para aprender e nunca mais parou.

Alecsandro Casassi, presidente do Ibef- ES, e Thiago Adame, CFO do Ano 2025 entregue pelo Ibef no Prêmio Equilibrista. Foto: Cacá Lima e Arthur Louzada

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