Por: Sandra Aragão
Economista, Gestora de Projetos, Palestrante e Escritora, autora de A Vida é o Seu Maior Projeto e do Método Vida em Projeto.
Tinha 15 anos quando levantei a mão para um processo seletivo num banco. Não tinha experiência, não tinha referências no mercado, só tinha um sonho e a disposição de ir atrás. O que aprendi nos anos seguintes, dentro daquela instituição, nunca esteve em nenhum livro didático: aprendi a planejar a vida. E aprendi, também, a cair e me levantar.Décadas depois, vejo jovens da Geração Z cheios de talentos, conectados com o mundo inteiro, ágeis e criativos, mas muitas vezes sem saber para onde estão indo. Não porque sejam despreparados. Porque ninguém os ensinou a fazer isso.
Planejamento de vida ainda é tratado como luxo ou como coisa de adulto. Não é. É uma habilidade que pode, e deve, ser ensinada desde cedo. Na sala de aula, nos programas de formação profissional, nas rodas de conversa com familiares. Quando ensinamos um jovem a identificar seus valores, traçar uma meta e dar o primeiro passo, estamos mudando a trajetória dele. E, com isso, mudamos famílias, comunidades e o futuro do país.
Mas planejamento sem resiliência é projeto pela metade. A vida não segue o roteiro que escrevemos. Haverá obstáculos, reviravoltas, momentos em que o plano vai precisar de um plano B. O que diferencia quem chega lá não é a ausência de dificuldades é a capacidade de lidar com elas, adaptar-se, levantar e seguir.
A resiliência não nasce do nada: ela se constrói, e também pode ser ensinada. Quando mostramos a um jovem que o erro é parte do percurso, que cair não é fracasso e que recomeçar faz parte do processo, estamos formando pessoas mais inteiras e mais preparadas para o mundo real.
Acredito profundamente nos jovens. Acredito porque já fui uma jovem. E acredito porque fui mãe de três filhas a quem procurei transmitir, desde pequenas, que a vida não acontece por acaso, se constrói com escolhas conscientes, com planejamento, com coragem e com a persistência de quem não desiste na primeira queda.
A Geração Z cresceu com acesso à informação que nenhuma geração anterior teve. O que falta, muitas vezes, é a ferramenta para organizar essa informação em direção a um propósito e a firmeza interior para sustentar esse propósito quando o caminho apertar.
Essa conversa precisa começar antes. Muito antes. E eu estou disposta a fazê-la com os jovens.