Hercules Gomes. Foto: Dani Gurgel
O pianista e compositor capixaba Hercules Gomes vive um dos momentos mais importantes de sua carreira. No último sábado, 20 de junho, ele se apresentou no Klavier Festival Ruhr, na Alemanha, considerado um dos mais prestigiados festivais de piano do mundo, ampliando ainda mais a projeção internacional de um trabalho dedicado à valorização da música brasileira.
A participação no evento foi resultado de uma construção iniciada há cerca de dois anos e meio. O ponto de partida foi um convite do produtor alemão Thomas Köeke para um concerto na Sendesaal Bremen, realizado em 2025. A apresentação teve casa cheia, recebeu elogios da crítica especializada e foi registrada ao vivo, dando origem ao álbum “Bremen Solo”, lançado neste ano.
O sucesso do projeto abriu novas portas na Europa e levou ao convite para integrar a programação do festival alemão, tradicionalmente voltado à música clássica, mas que também recebe artistas de diferentes vertentes musicais. Em entrevista exclusiva ao Orgulho Capixaba, o músico contou sobre a experiência, o sentimento, os planos e sobre o orgulho de ser capixaba.
“Foi uma honra ter participado desse festival. Sobre a apresentação, foi ótima. O público reagiu muito bem, aplaudiram de pé. Em alguns momentos, especialmente quando eu toquei os frevos, gostaram muito. Foi uma participação, um concerto, inesquecível”, relatou.

Registro de Hercules Gomes no Klavier Festival Ruhr. Foto: Divulgação
Segundo o artista, estar em um palco dessa relevância representa a realização de um sonho construído ao longo de décadas de dedicação. Autodidata nos primeiros anos de estudo, Hercules iniciou sua carreira musical aos 13 anos, passou pela Escola de Música do Espírito Santo e posteriormente se formou em Música Popular pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
“Tocar num festival tão importante como esse é uma realização para mim. Eu fico realmente muito feliz e considero isso um dos objetivos alcançados, uma espécie de reconhecimento, de valorização de todo esforço, de todo estudo e de toda essa paixão que a gente tem pela música e pelo piano”, afirmou.
Reconhecido por difundir a música brasileira em seus concertos, Hercules observa que o repertório nacional desperta grande interesse do público internacional, especialmente pelo aspecto rítmico. Segundo ele, gêneros como o choro e o frevo costumam provocar reações imediatas das plateias europeias.
Além da apresentação na Alemanha, o músico se prepara para uma agenda intensa nos próximos meses. Entre os principais projetos está a gravação de um álbum em homenagem a Radamés Gnattali, em celebração aos 120 anos de nascimento do compositor. O trabalho será lançado pelo Selo Sesc e reunirá três importantes obras para piano e orquestra.
A programação de 2026 inclui ainda novas apresentações em cidades alemãs, entre elas Bremen e Hamburgo, onde tocará na Elbphilharmonie, uma das salas de concerto mais importantes da Europa. Também estão previstos shows de lançamento do álbum “Bremen Solo”, além de uma turnê inédita pela Ásia, com apresentações na China e no Japão.

Hercules Gomes. Foto: Dani Gurgel
Apesar da carreira consolidada em importantes festivais e salas de concerto no Brasil e no exterior, o pianista destaca que suas raízes capixabas continuam presentes em sua identidade artística. Para ele, a influência do Espírito Santo vai muito além da música e está ligada às experiências que viveu ao longo da formação pessoal e profissional.
“Nossas origens, as nossas raízes, são coisas que nunca saem da gente. Eu diria que as dificuldades, as vitórias, o calor humano, a família, o mar, as músicas da banda de congo, dos grupos de choro, das bandas de música pop, dos compositores, de tudo que eu vivi no Espírito Santo durante tanto tempo. Se eu não tivesse nascido no Espírito Santo e vivido tudo que vivi lá, certamente a minha música seria outra”, considera Hercules.
Questionado sobre o orgulho de ser capixaba, ele afirma: “O que mais me orgulha de ser capixaba é ter nascido e crescido numa terra de um povo único, muito acolhedor e muito sonhador. O capixaba é um povo rico de talentos, rico de cultura e um povo que realmente me faz orgulhar de fazer parte”, conclui.