Chef Alessandro Eller
Por: Bianca Tápias
Há receitas que começam muito antes de alguém acender o fogo. Nascem em uma lembrança de infância, em um caderno antigo de família, no almoço de domingo ou naquele prato que alguém aprendeu observando, sem balança, medidas exatas ou qualquer pretensão de um dia levá-lo para além de casa.
Talvez seja justamente por isso que conhecer quem está por trás da comida seja, muitas vezes, tão interessante quanto prová-la. É um pouco desse universo que volta à televisão capixaba com a 9ª temporada do Chef de Família, que estreia no dia 19 de setembro, às 14h, na TV Vitória/Record.
Sob o comando do chef e apresentador Alessandro Eller, e com direção de Vitor Moreno, o programa chega a mais uma edição transformando a competição culinária também em uma vitrine para personagens, sabores e diferentes relações com a cozinha.
E isso diz bastante sobre a gastronomia do Espírito Santo. Existe por aqui uma produção que nem sempre nasce dentro dos grandes restaurantes ou sob a assinatura de nomes conhecidos. Ela aparece nas cozinhas domésticas, nos pequenos negócios, nas receitas herdadas e nas pessoas que transformaram o gosto por cozinhar em profissão, renda ou projeto de vida.
Quando essas histórias chegam à televisão, o prato deixa de ser apenas aquilo que será avaliado. Há repertório, memória e identidade envolvidos em cada escolha. Até uma receita aparentemente simples pode carregar referências de uma família inteira, de uma cidade do interior, do litoral capixaba ou de uma tradição que sobrevive justamente porque alguém continua repetindo seus gestos.
Talvez esteja aí parte da longevidade do Chef de Família. Em sua nona temporada, a cozinha continua sendo o cenário, mas são as pessoas que mantêm a curiosidade acesa.
Porque técnica pode ser aprendida, receitas podem ser reproduzidas e apresentações podem impressionar, mas existe algo impossível de copiar por completo: a história que cada um coloca no prato.
E, em um estado que ainda tem tanta gastronomia para descobrir e contar, abrir espaço para essas histórias é também uma maneira de reconhecer quem ajuda a construir, todos os dias, a identidade da cozinha capixaba.