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Coronel Luciana Ferrari: a força feminina que faz história no Sub Comando da PMES

Publicado em: 06/05/2026

Coronel Luciana Ferrari. Foto: Divulgação

Em uma instituição com quase dois séculos de história, a presença feminina em cargos de liderança ainda representa mais do que conquista individual: é um marco coletivo. A coronel Luciana Lopes Carrijo Ferrari entra para esse capítulo como a primeira mulher a assumir o Sub Comando da Polícia Militar do Espírito Santo, consolidando sua carrerira que é sinônimo de disciplina, preparo técnico e resiliência.

Nascida em Cariacica e vinda de uma família humilde, Luciana é a filha mais velha de cinco irmãos. Sua história na Polícia Militar começou aos 21 anos, quando ingressou como Aluna Oficial. Com formação no Curso de Formação de Oficiais, MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e especialização em Segurança Pública pela Universidade de Vila Velha, a coronel acumulou experiências em diversas frentes da corporação. Atuou em batalhões operacionais, ocupou funções estratégicas no Poder Executivo e integrou áreas de planejamento e gestão dentro da própria PMES, onde já havia feito história ao se tornar a primeira mulher a chefiar o Estado-Maior Geral.

Ao relembrar sua trajetória, Luciana destaca como um dos momentos mais desafiadores o início da carreira operacional. Ainda como Aspirante a Oficial, comandou o policiamento em Vitória em um período crítico, marcado por altos índices de violência. Foi nesse cenário que consolidou sua capacidade de liderança em situações de risco e tomada de decisão sob pressão.

Agora, no Sub Comando, ela assume o cargo com a clareza de que sua missão vai além da gestão. Para Luciana, o posto representa o reconhecimento de uma caminhada de dedicação, mas também um avanço na representatividade feminina dentro da corporação. “É um marco na representatividade feminina em uma instituição quase bicentenária, com quase 9 mil homens e mulheres”, reforça.

 

Um novo momento

Coronel Luciana Ferrari. Foto: Divulgação

Entre suas prioridades na gestão, estão o cuidado com a saúde física e emocional da tropa, a melhoria do clima organizacional e o fortalecimento de processos internos, além da capacitação contínua dos profissionais. Para ela, uma polícia forte começa pela valorização de quem está na linha de frente.

No cenário da segurança pública capixaba, a coronel reconhece os avanços recentes, como a redução histórica nos índices de homicídios. No entanto, alerta que o desafio agora é manter esses resultados e enfrentar um adversário em constante transformação: o crime organizado. “O crime é dinâmico e se reinventa todos os dias. Precisamos estar sempre à frente, mantendo a capacidade de desarticulá-lo”, afirma.

 

Liderança feminina

Outro ponto central de sua atuação será o fortalecimento das políticas de enfrentamento à violência de gênero. A proposta inclui ampliar a formação dos policiais para um atendimento mais humanizado e evitar a revitimização das mulheres, além de estruturar iniciativas específicas de proteção, como a Companhia Independente voltada para esse público.

Coronel Luciana Ferrari. Foto: Divulgação

Ao falar sobre a presença feminina na Polícia Militar, Luciana reconhece que ainda existem barreiras, naturais em uma instituição historicamente masculina. Porém, ela acredita que essas limitações vêm sendo superadas com competência técnica e profissionalismo. Para ela, o caminho está sendo pavimentado por mulheres que demonstram, diariamente, sua capacidade de liderar em todos os níveis.

Conciliar a rotina intensa da carreira com a vida pessoal é outro desafio constante, considera Luciana. Casada há 26 anos, mãe de dois filhos e responsável pelo cuidado com familiares idosos, ela destaca a necessidade de resiliência emocional e adaptação. Uma realidade que aproxima sua história da de muitas mulheres que equilibram múltiplos papéis todos os dias.

Mais do que ocupar um cargo histórico, a coronel Luciana Ferrari quer deixar um legado. Sua presença no Sub Comando representa, segundo ela, um divisor de águas para a corporação e um estímulo para que mais mulheres alcancem posições de liderança. “Não basta ocuparmos um cargo. A presença feminina precisa ser marcada pela competência técnica e liderança estratégica, provando que essas qualidades não têm gênero”, conclui.

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