Por: Matheus Conceição
Na segunda edição do S+ Club, mais de cem profissionais de saúde acordaram antes do sol para um treino na areia — e mostraram que isso só cresce.
Vitória ainda dormia.
Ruas vazias, mar calmo, aquele frescor que só existe nos minutos antes do dia começar. Mas num dos cantos mais queridos da cidade, algo fugia da rotina.
A Curva da Jurema — esse pedaço de Vitória que todo capixaba conhece, point das manhãs de quem corre, caminha e treina à beira-mar — começava a se encher. Não de quem passa. De quem veio para ficar.
Dezenas de pessoas chegavam. Tênis prontos para a areia, garrafa d’água na mão, o sorriso meio sonolento de quem escolheu acordar cedo por um bom motivo.
Era a segunda edição do S+ Club. E ela começou exatamente como um movimento que cresce deveria começar: com o sol nascendo no horizonte e mais de cem pessoas reunidas pelo mesmo propósito.
Para quem ainda não conhece, o S+ Club nasceu de uma ideia simples e, ao mesmo tempo, ousada. Idealizado por Paulo Girelli e Matheus Fagundes, o projeto carrega uma missão clara: unir os profissionais de saúde. Aproximar quem o mercado, tantas vezes, insiste em colocar em lados opostos.

Médicos. Dentistas. Nutricionistas. Nutrólogos. Educadores físicos. Fisioterapeutas.
Gente que passa o dia cuidando de gente, encontrando quem faz exatamente o mesmo.
Na estreia, a semente foi plantada. Nesta segunda edição, ela já mostrava raiz — e começava a dar fruto.
À frente do treino estava o treinador e personal trainer Fernando Faria. E quem esteve lá sentiu na pele: ele não conduz um treino, ele contagia. Energia no talo, comando firme, aquele tipo de presença que arranca o seu melhor antes mesmo de você perceber que está dando.
Na areia, com o som do DJ ao fundo e o mar logo ali, o treino deixou de ser treino. Virou experiência. Corpo em movimento, música no ar, e o céu trocando de cor a cada série.
Porque tinha o nascer do sol.
Difícil de explicar pra quem não estava. A luz subindo devagar sobre a água, pintando de laranja a orla inteira, enquanto mais de cem pessoas se mexiam juntas. Quem já treinou ao ar livre num amanhecer desses sabe a sensação. Quem ainda não viveu, devia pelo menos tentar uma vez.
A manhã também ganhou força pelo apoio de quem acreditou na proposta. Como patrocinadores da segunda edição, Elementar, Arruda Holdings, SpaceMed, Enjoy MED e Orbion Sales. Entre os apoiadores, Vixes, Nonno Nicchio, Fábrica de Bolo Vó Alzira e Privilege.
Marcas que entenderam uma coisa simples: quando saúde vira comunidade, vale a pena estar junto.
E aí vem o dado que resume a manhã: mais de cem participantes. Profissionais das mais diversas áreas da saúde, boa parte deles referência nas próprias especialidades.
O crescimento, em relação à primeira edição, não passou despercebido. Mais gente na areia. Mais adesão. Mais vontade de voltar. O que começou como um encontro está virando ponto de reencontro.
E é aqui que o S+ Club fica interessante de verdade.
Existe, no mundo da saúde, uma rivalidade silenciosa. Classes que disputam paciente, espaço, autoridade, razão. Cada um defendendo o próprio quadrado, como se cuidar de pessoas fosse uma competição.
O S+ Club propõe o contrário. E não com discurso — com prática.
Quando você coloca mais de cem desses profissionais lado a lado, suando no mesmo treino, rindo da mesma dificuldade, dividindo o mesmo café depois, algo muda. As fronteiras encolhem. O concorrente vira colega. O colega vira parceiro.
Não é sobre quem está certo. É sobre quem o paciente precisa que esteja por perto.
E talvez seja esse o real motor do crescimento. As pessoas não voltam só pelo treino na praia — academia perto de casa elas têm. Voltam pela sensação de pertencer. De olhar para o lado, num amanhecer em Vitória, e ver alguém da mesma profissão que escolheu somar.
A segunda edição terminou. Mas o que ficou no ar não foi cansaço. Foi pertencimento.
Porque eventos acabam quando o sol se põe. Movimentos, não. Movimentos seguem na conversa do dia seguinte, no convite para a próxima edição, na vontade de trazer mais um colega junto.
O S+ Club ainda está no começo. E se a segunda edição já encheu a Curva da Jurema antes do sol nascer, fica a pergunta que vale a reflexão: até onde vai um movimento que descobriu que cuidar, quando é junto, vai mais longe?