Foto: Agência Social Clube
De 9 a 11 de outubro, evento gratuito reúne shows, gastronomia, aulas-show, cerca de 70 expositores, agricultura familiar, economia criativa e uma mostra de 150 m² sobre a formação cultural do Espírito Santo e de Santa Leopoldina
Santa Leopoldina vai ganhar ainda mais sotaque, sabor, história e música capixaba entre os dias 9 e 11 de outubro. O Festival Mistura Capixaba retorna ao município com três dias de programação gratuita, reunindo no mesmo espaço gastronomia, shows, artesanato, agricultura familiar, economia criativa, memória, turismo e atividades para as crianças.
Depois de passar por Praia Grande, em Fundão, o festival volta às montanhas e reencontra Santa Leopoldina, cidade que já recebeu uma das edições do projeto. A proposta é transformar o fim de semana em uma grande celebração daquilo que nasce, é produzido e ajuda a contar a história do Espírito Santo.
Além da programação artística, o evento terá uma estrutura formada por 10 operações gastronômicas, 20 expositores ligados à agricultura familiar, agroindústria, docerias e outros segmentos, além de 40 operações de economia criativa, entre artesanato e diferentes produções autorais.
Para o prefeito de Santa Leopoldina, Fernando Rocha, o festival também representa uma oportunidade de valorizar as potencialidades do município e movimentar diferentes setores da economia local. “Estamos com uma expectativa muito positiva para a 2ª edição do Festival Mistura Capixaba em Santa Leopoldina. Será uma grande oportunidade para valorizar nossa cultura, gastronomia e agricultura familiar, fortalecer o turismo e movimentar a economia local. Santa Leopoldina está de braços abertos para receber a todos!”, afirma.

Claudine Valle Silveira
As aulas-show terão espaço especial na programação e aproximam chefs, ingredientes, receitas e referências culturais do público. Os pratos e profissionais são alinhados pela gastrônoma Claudine Valle Silveira, pós-graduada em Cultura Gastronômica e Degustação, professora de Gastronomia e profissional com atuação em consultorias, treinamentos e eventos.
Na sexta-feira (9), às 18h30, o gastrônomo e pesquisador da alimentação Murilo Góes apresenta a aula-show “Tilápia Espirituosa”, receita criada em seu projeto de cozinha experimental Macunaíma e inspirada no clássico português Bacalhau Espiritual.
Na releitura, o bacalhau dá lugar à tilápia e ingredientes ligados à produção local ganham espaço, com destaque para o gengibre, produto de forte presença na agricultura de Santa Leopoldina. A preparação leva ainda creme de castanha-de-caju, batatas e cebolas, formando um prato cremoso pensado para unir referências culinárias diferentes e ingredientes acessíveis.

Murilo Góes
“A Tilápia Espirituosa foi criada no Macunaíma com a intenção de brincar com uma referência da gastronomia portuguesa e transformá-la em uma receita acessível, bem-humorada e que aproveitasse os ingredientes da região. A ideia é mostrar como podemos reinterpretar pratos conhecidos, exercitando a criatividade na cozinha”, explica Murilo Góes.
No sábado (10), às 18h, a chef Claudine assume também a cozinha da aula-show e apresenta uma Bavaroise de Café e Laranja, sobremesa criada a partir de ingredientes que dialogam diretamente com a produção agrícola de Santa Leopoldina. Na preparação, a casca da laranja é infusionada no leite, liberando seus aromas e óleos essenciais, enquanto o café dá personalidade à base da bavaroise. A sobremesa recebe ainda uma calda cítrica preparada com suco natural e raspas de laranja. Na finalização, podem entrar casca de laranja cristalizada, grãos de café ou biscoito de gengibre, reforçando a conexão entre técnica de confeitaria e sabores presentes no território.
Um dos grandes destaques desta edição será a Mostra Mistura Capixaba — Santa Leopoldina, exposição com aproximadamente 150 m² dedicada à história, à cultura e aos diferentes modos de viver o Espírito Santo.

Dra Patrícia Merlo
Com curadoria da historiadora Dra. Patrícia Merlo, a mostra parte da ideia de que a identidade capixaba foi formada não apenas pela chegada de diferentes povos, mas pelos encontros entre territórios, saberes, trabalho, memória, práticas culturais e diferentes maneiras de ocupar e transformar o Estado.
O visitante será conduzido de uma visão mais ampla do Espírito Santo até Santa Leopoldina por meio de fotografias históricas e contemporâneas, documentos, mapas, objetos, referências culturais e recursos interativos.
A exposição apresenta desde símbolos e saberes capixabas, como a panela de barro de Goiabeiras, a casaca, ferramentas do trabalho rural, referências ligadas à cultura do café e a devoção a Nossa Senhora da Penha, até diferentes paisagens do Estado.
No núcleo “Geografia Mágica — Entre o mar e a montanha”, entram em cena referências como Itaúnas, Lagoa Juparanã, Pedra do Elefante, Costa das Algas, Baía de Vitória, Convento da Penha, Gruta do Limoeiro, Pico da Bandeira e Cachoeira Véu de Noiva.
Quando chega ao território de Santa Leopoldina, a mostra amplia o olhar para períodos anteriores à formação da Colônia Imperial, reconhecendo a presença indígena e acompanhando as transformações promovidas pelas novas formas de ocupação ao longo do século XIX.
Entre os documentos apresentados estão registros cartográficos históricos, como o mapa dos terrenos ocupados pela Colônia de Santa Leopoldina e a Carta Topographica da Colonia de Santa Leopoldina, de 1872.
Fotografias realizadas por Walter Garbe, em 1909, também integram o percurso e documentam a presença indígena registrada na região no início do século XX.
O Rio Santa Maria da Vitória ganha protagonismo como caminho de circulação de pessoas, mercadorias e café, enquanto o antigo Porto do Cachoeiro aparece como importante ligação entre Santa Leopoldina, Vitória e o interior.
A exposição recupera ainda a representação literária do município feita por Graça Aranha que, em Canaã, publicado em 1902, descreveu Santa Leopoldina como “a filha do sol e das águas”.
A imigração também aparece na mostra a partir das marcas que permaneceram na paisagem, nos nomes de comunidades, igrejas, casas e caminhos.
Tirol, Suíça, Luxemburgo e Holanda são algumas das referências incorporadas à geografia e à memória local, ajudando a mostrar como diferentes grupos participaram da construção de Santa Leopoldina.
A narrativa, no entanto, vai além da imigração e inclui comunidades, saberes e formas de vida que continuam presentes no território.
O núcleo “Retiro: Terra, Parentesco e Memória” apresenta a comunidade quilombola a partir de seus laços familiares, pertencimento, trabalho, memória e relação com a terra. O congo aparece como manifestação viva dessa memória, reunindo gerações, vozes, corpos e tambores.
Já “Uma Terra, Muitos Cultivos” apresenta a diversidade da produção rural. O café compartilha o território com banana, gengibre, cítricos, raízes e hortaliças, em uma narrativa que destaca conhecimentos transmitidos entre gerações e novas técnicas de produção.
A experiência se completa com manifestações culturais e paisagens ligadas à identidade de Santa Leopoldina.
Em “Quando a cidade faz festa”, o Carnaval, os bonecos gigantes, as bandas, o boi e outras celebrações aparecem como momentos em que a memória ganha as ruas e diferentes gerações compartilham práticas culturais.
Já “Caminhos das Águas” apresenta cachoeiras e cursos d’água do município, incluindo referências como Moxafongo, Andorinhas e Palito. A paisagem é apresentada também como espaço de descoberta e turismo, sempre associada ao cuidado e à preservação do território.
Mais do que construir uma linha do tempo, a mostra propõe uma leitura sobre aquilo que formou e continua formando Santa Leopoldina e o Espírito Santo: pessoas, territórios, famílias, trabalho, crenças, produção, festas, paisagens e memórias.
A música também terá protagonismo durante os três dias. Na sexta-feira (9), depois da abertura às 18h e da aula-show às 18h30, quem assume a festa é o Engate do Forró, às 19h30. Jenifer se apresenta às 21h30 e Glauco fecha a programação musical da noite, às 23h.
No sábado (10), os portões abrem às 17h. Depois da aula-show, às 18h, o palco recebe Claudio Senna, às 19h; Saulo Simonassi, às 21h; e Marcelo Ribeiro, às 23h.
O domingo (11) será especialmente voltado às famílias e já entra no clima das comemorações pelo Dia das Crianças. A programação começa pela manhã e, às 11h, a turma do Macakids apresenta seu show completo, com personagens, bailarinas, apresentador e cenografia. Às 13h continuam as atividades infantis e o Pagode e Cia se apresenta às 14h e às 16h.

Macakids. Foto: Arthur Louzada
Para o presidente da Cooptures, Alfonso Silva, o retorno ao município reforça a conexão construída pelo projeto. “Santa Leopoldina abraçou o Mistura Capixaba desde o início da nossa trajetória e voltar tem um significado muito especial. Queremos reunir música, gastronomia, cultura, produtores e famílias para celebrar o Espírito Santo e tudo o que a nossa gente sabe fazer. Cada município acrescenta um pouco da sua história a essa mistura”, afirma.
Com circulação por diferentes regiões capixabas, o Festival Mistura Capixaba contribui ainda para movimentar turismo, pequenos negócios, agricultura familiar e economia criativa. Em Santa Leopoldina, essa proposta encontra um município marcado pela diversidade cultural, pela produção agrícola, pelas águas, pelo patrimônio histórico e pelas muitas histórias que ajudaram a formar o Espírito Santo.

Saulo Simonassi
Sexta-feira – 9 de outubro
18h – Abertura
18h30 – Aula-show com Murilo Góes – Tilápia Espirituosa
19h30 – Engate do Forró
21h30 – Jenifer
23h – Glauco
1h – Encerramento
Sábado – 10 de outubro
17h – Abertura
18h – Aula-show com Claudine Valle Silveira – Bavaroise de Café e Laranja
19h – Claudio Senna
21h – Saulo Simonassi
23h – Marcelo Ribeiro
1h – Encerramento
Domingo – 11 de outubro
9h – Abertura
11h – Macakids
13h – Programação infantil
14h – Pagode e Cia
15h – Intervalo
16h – Pagode e Cia
17h – Encerramento
Festival Mistura Capixaba – Santa Leopoldina
Data: 9, 10 e 11 de outubro de 2026
Local: Ginásio de Esportes de Santa Leopoldina – Santa Leopoldina/ES
Entrada: gratuita
Informações: @festivalmisturacapixaba
Realização: INADES – Instituto Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e Imigrantes
Produção: Conexxo e Social Clube
Apoio: Cooptures, Prefeitura Municipal de Santa Leopoldina e Sebrae
Apoio institucional: Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte