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Gestão que paga: por que o Flamengo consegue investir mais de 40 milhões de euros em Paquetá

Publicado em: 27/01/2026

Lucas Paquetá. Foto: Reprodução

Por: Gabriel Harchbart

 

Pouca coisa escancara mais a diferença entre “time grande” e “gestão grande” do que um clube brasileiro voltar ao mercado europeu e colocar mais de 40 milhões de euros na mesa para trazer um jogador formado em casa.

A negociação do Lucas Paquetá pelo Flamengo, por um valor acima de 40 milhões de euros, é mais do que uma contratação. É um sintoma de capacidade. Capacidade de gerar caixa, financiar investimento, sustentar folha, absorver risco e, principalmente, tomar decisão grande sem colocar a instituição em risco.

E aqui entra a parte que pouca gente quer ouvir: isso não nasceu em 2019, nem em uma “fase boa”. Esse patamar começa a ser construído em 2012, quando o Flamengo decide trocar o improviso por governança.

 

2012: quando o Flamengo escolheu governança

Em 2012, o clube estava pressionado por dívida, por credibilidade baixa e por uma cultura onde o curto prazo sempre vencia. A virada começa quando a pauta passa a ser responsabilidade financeira, compliance, orçamento, controle e profissionalização.

Na prática, foi a introdução do que qualquer empresa madura reconhece:

  • disciplina de caixa antes de ambição

  • controle do passivo antes de glamour

  • processo antes de promessa

É a fase em que o clube aceita pagar o preço impopular: cortar excessos, organizar contratos, renegociar dívida, melhorar controles e reconstruir confiança no mercado.

 

2013–2018: austeridade, infraestrutura e base

A década passada ensinou uma verdade dura: não existe performance sustentável com caixa frágil.

O Flamengo foi construindo musculatura financeira e institucional enquanto muita gente avaliava só pelo placar. E aqui tem um ponto de gestão que vale ouro: infraestrutura e base não geram manchete no dia seguinte, mas geram ativo por anos.

CT, formação, estrutura médica, governança, capacidade de planejamento — tudo isso vira “vantagem competitiva invisível”. A torcida vê a taça. A gestão vê o que vem antes dela: processo, rotina, contratação certa, custo certo, risco controlado.

 

2019 em diante: escala esportiva é consequência de escala de gestão

Quando a casa está organizada, a decisão muda de natureza. Você deixa de “contratar para apagar incêndio” e passa a alocar capital como organização.

A lógica fica parecida com empresa:

  • contratar (investir) com tese clara

  • proteger downside (limites e gatilhos)

  • capturar upside (performance, títulos, marca, receita)

  • reinvestir com disciplina (ciclo virtuoso)

É por isso que, num clube bem gerido, uma contratação grande não é “loucura”. É estratégia. E estratégia, quando bem executada, vira dinheiro, reputação e poder de atração.

 

Paquetá como símbolo de maturidade

Trazer Paquetá por esse valor é, também, uma mensagem institucional:

“Temos estrutura para repatriar elite, porque temos mecanismo para sustentar elite.”

E isso conversa com três pilares que qualquer negócio deveria copiar:

  1. governança que impede o emocional de quebrar o caixa

  2. processo que transforma receita em investimento, não em desperdício

  3. visão de longo prazo que cria ativo (marca, base, performance) e reduz risco

No fim, futebol é só o palco mais visível de uma regra universal:
boa gestão não garante vitória em um jogo — mas aumenta brutalmente a probabilidade de vencer campeonatos.

E no mercado — seja de talentos, seja de dinheiro, seja de oportunidades — quem tem gestão profissional compra mais do que jogadores. Compra futuro.

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