Vereadora Karla Coser. Foto: Divulgação
Aos 35 anos, em seu segundo mandato como vereadora de Vitória, Karla Coser é hoje um dos principais nomes da nova geração política no Espírito Santo. Reeleita em 2024 com 7.256 votos, a maior votação já registrada para uma vereadora na história do Estado e a mais expressiva daquela eleição para a Câmara Municipal, ela alia uma atuação firme em defesa das mulheres e minorias a uma trajetória de enfrentamentos e conquistas institucionais, como o pioneirismo ao usufruir da licença-maternidade no Legislativo da capital.
Em entrevista excluisiva ao Orgulho Capixaba, Karla compartilhou detalhes sobre seu mandato, maternidade e as expectativas para as eleições de 2026, na qual ela tem novos planos para seguir representando as mulheres e a sociedade capixaba.

Vereadora Karla Coser. Foto: Divulgação
Nascida e criada em Vitória, Karla tem uma trajetória com forte influência da política, mas também com escolhas próprias que a levaram a ocupar um espaço de protagonismo. Filha do deputado estadual João Coser, ela cresceu acompanhando de perto o impacto da vida pública, mas foi na vivência acadêmica e profissional que encontrou sua principal motivação.
“Sou casada, católica, mãe de uma filha de oito meses, Maria Vitória, minha primeira filha. Sou apaixonada pela vida, apaixonada pela praia, amo morar em Vitória, sou nascida e criada aqui”, descreve Karla.
Formada em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo, foi ainda na faculdade que Karla teve contato direto com uma pauta que viria a definir sua atuação: o enfrentamento à violência contra a mulher. A partir daí, a política deixou de ser apenas um ambiente familiar e passou a ser entendida como ferramenta de transformação coletiva.
Apesar da proximidade com o meio político desde cedo, a decisão de se candidatar veio em um momento de ruptura e reflexão. O ano de 2018, marcado por acontecimentos políticos e sociais no Brasil, foi determinante para que Karla deixasse de ser espectadora e assumisse um papel ativo. “Eu percebi que eu sempre gostei de política, mas foi a eleição de 2018 que virou minha chavinha”, relembra, pontuando que naquele ano também coordenou a campanha de seu pai à Câmara Federal.

Karla Coser em plenário. Foto: Divulgação
Eleita vereadora pela primeira vez em 2020, em um contexto de pandemia e com uma pequena diferença de votos para o primeiro suplente, Karla iniciou um mandato desafiador, marcado não apenas pelas limitações impostas pelo período, mas também por episódios de violência política de gênero dentro do próprio plenário da Câmara de Vitória. “Enfrentar a violência política de gênero na Câmara de Vitória foi o meu maior desafio”, destaca.
Ainda assim, foi nesse cenário adverso que ela consolidou sua atuação como uma voz ativa e combativa, pautando temas sensíveis e dando visibilidade a demandas muitas vezes ignoradas. O reconhecimento veio nas urnas em 2024, com uma votação expressiva que simboliza mais do que uma vitória individual. “A gente sonhava com ela, trabalhava para ela, mas nunca esperava 7.256 votos. Foi incrível, foi o reconhecimento de um trabalho bem feito, um trabalho coletivo”, afirma.

Karla Coser – Retorno Licença Maternidade. Foto: Divulgação
A trajetória de Karla também é marcada por avanços institucionais importantes. Foi somente em 2021 que a Câmara de Vitória passou a prever a licença-maternidade em seu regimento, um direito fundamental que, até então, não era garantido às parlamentares. “A licença-maternidade é um direito de toda mulher trabalhadora, e eu tenho muito orgulho de ter sido a primeira parlamentar a usufruir desse direito”, ressalta.
Mãe da pequena Maria Vitória, Karla reconhece tanto os desafios quanto os privilégios envolvidos nesse processo da maternidade e vida pública. Com uma rede de apoio estruturada, ela lembra que essa realidade ainda está distante da maioria das mulheres, e reforça a necessidade de políticas públicas que garantam creches em tempo integral, com qualidade, permitindo que mães retornem ao trabalho com segurança. Para a vereadora, essa vivência ampliou sua atuação política, incorporando novas bandeiras ao mandato.
Ao longo do mandato, a vereadora também tem sido alvo constante de ataques, tanto nas redes sociais quanto no plenário, muitos deles motivados pelas pautas que defende. Mesmo assim, ela transforma a resistência em representatividade.
“A gente sabe que a participação da mulher na política ainda não é normalizada por algumas pessoas. Mas a gente chegou para ficar e resistir à violência política de gênero é a nossa forma de mostrar para meninas e mulheres que a gente pode ocupar esse espaço”, pontua.