A tradicional panela de barro, símbolo da cultura capixaba, ganhou uma nova função pelas mentes e pelas mãos da LUMOR Velas, marca criada pelas capixabas Rosiane Rangel e Mayara Davel. Transformada em recipiente para uma vela aromática, a peça foi criada com a proposta de se tornar um presente que represente o Espírito Santo e já chegou a diferentes estados brasileiros até mesmo a outros países.
A ideia nasceu de uma busca das sócias por um produto genuinamente capixaba, capaz de carregar referências culturais do Estado. Entre os símbolos mais associados ao Espírito Santo, a panela de barro apareceu como escolha natural. “Foi assim que nasceu a Vela Capixaba: da vontade de criar um presente que tivesse identidade, história e afeto e que pudesse levar um pedacinho do Espírito Santo para onde fosse”, explicam as sócias Rosiane e Mayara.
Para desenvolver a peça, as empresárias decidiram trabalhar com as Paneleiras de Goiabeiras. As panelinhas utilizadas pela LUMOR são produzidas artesanalmente pelas paneleiras e chegam à empresa para receber uma nova etapa de produção. A escolha também estabelece uma conexão direta entre dois trabalhos manuais reunidos no mesmo produto.
Na LUMOR, cada recipiente recebe o pavio, a cera e o aroma antes de passar pelo acabamento e pela embalagem, feita em um tecido que remete a uma pequena marmitinha. “Cada panelinha é observada e produzida individualmente, respeitando suas particularidades”, afirmam.
A recepção do público foi positiva desde os primeiros exemplares. As sócias contam que a associação com o Espírito Santo acontece rapidamente e que um dos aspectos que chamou atenção foi a procura por diferentes perfis de consumidores, incluindo o público masculino.

Outro comportamento percebido pelas empresárias reforçou a finalidade para a qual o produto havia sido pensado. Ao conhecer a vela, era comum que o cliente mencionasse alguém de fora do Estado que poderia receber a peça como presente ou uma viagem na qual gostaria de levar uma lembrança capixaba.
Atualmente, o mercado corporativo representa uma parcela importante da demanda. Empresas procuram a Vela Capixaba para presentear clientes, parceiros e profissionais de outros estados, além de utilizá-la em eventos, homenagens e ações de relacionamento. Instituições e órgãos públicos também já fizeram encomendas.
A circulação do produto ultrapassou as fronteiras do Espírito Santo e do próprio país. Segundo Rosiane e Mayara, há registros de unidades que chegaram a Portugal, Estados Unidos e Austrália. Para as empresárias, esse movimento amplia a função da peça, que passa a levar junto a referência à panela de barro, às Paneleiras de Goiabeiras e à cultura capixaba.
O aroma também faz parte da proposta. Quando a vela foi criada, a LUMOR pensou inicialmente em uma fragrância mais intensa, com referências a temperos, pimentas e especiarias, em uma associação com a gastronomia capixaba e a moqueca. Com o crescimento da procura corporativa, a empresa passou a oferecer diferentes possibilidades de essências.

As sócias, Rosiane e Mayara
A personalização permite que cada empresa escolha um aroma de acordo com sua marca, evento ou experiência que pretende proporcionar. “Para a LUMOR, aroma é memória. Por isso, gostamos da ideia de que cada empresa possa também deixar sua própria memória dentro de um produto que já carrega a história do Espírito Santo”, dizem as sócias.
A versão produzida para a Revista Orgulho Capixaba, por exemplo, possui uma fragrância própria. A vela integra os kits enviados pelo Orgulho Capixaba aos parceiros da revista. A parceria ganhou um efeito próprio sobre a identificação do produto: originalmente chamada de “Barro da Terra”, a peça passou a ser associada ao movimento por parte do público, que começou a procurá-la como “vela Orgulho Capixaba”.
Para Rosiane e Mayara, a experiência mostra como presentes corporativos podem incorporar elementos culturais sem deixar de atender à proposta de relacionamento das empresas. No caso da Vela Capixaba, a peça reúne o trabalho das Paneleiras de Goiabeiras, a produção artesanal da LUMOR e a identidade visual e sensorial escolhida por quem encomenda o produto.
O produto faz parte de um movimento maior da LUMOR em direção ao mercado corporativo. As sócias planejam ampliar a oferta de presentes e experiências personalizadas, mantendo o processo artesanal como uma das características da marca. “Não queremos que o aumento da produção retire aquilo que faz parte da essência da LUMOR”, afirmam.
Além de ampliar a atuação empresarial, Rosiane e Mayara pretendem desenvolver novos produtos inspirados em elementos, regiões e municípios do Espírito Santo. A panela de barro foi o ponto de partida para essa frente, transformando um objeto associado à gastronomia e à cultura local em uma peça que pode ser acesa, perfumada e levada para diferentes lugares.