Bartira Almeida e Pollyana Paraguassú. Fotos: Divulgação
No mês do Dia Internacional da Mulher, o Orgulho Capixaba destaca trajetórias femininas que são verdadeiros orgulhos. Para iniciar a série de conteúdos sobre essas mulheres de força e representatividade, destacamos hoje duas hitórias que encontraram no terceiro setor uma missão de vida. À frente do Instituto Ponte e da Amaes, Bartira Almeida e Pollyana Paraguassú mostram que liderança também é cuidado, coragem e transformação social.
Elas ocupam espaços de liderança, tomam decisões estratégicas e conduzem instituições que impactam milhares de vidas no Espírito Santo. Mas antes de tudo, são mulheres que fizeram escolhas movidas por propósito.
À frente do Instituto Ponte, referência nacional em ascensão social por meio da educação, e da Amaes, instituição que acolhe e garante direitos a mais de duas mil famílias de pessoas com autismo no Espírito Santo, Bartira Almeida e Pollyana Paraguassú representam uma geração de lideranças femininas que transformam desafios em pontes para o futuro.
Engenheira civil, Bartira Almeida cresceu tendo como principal referência a própria mãe, que, na década de 60, foi a única mulher da turma. Aprendeu cedo que ocupar espaços é possível e que a educação pode transformar a vida de meninas e mulheres.
Após 20 anos de reconhecida atuação no setor da construção civil e incorporação imobiliária, decidiu direcionar sua experiência em gestão para um propósito maior: evitar que talentos fossem desperdiçados pela falta de oportunidade. Para ela, o Brasil é um país abundante em capacidade e potencial, mas marcado por desigualdades que impedem muitos jovens brilhantes de avançar.

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Perto dos 40 anos, Bartira Almeida passou a dedicar 70% de seu tempo a uma causa que pudesse gerar transformação social: a educação. Assim nasceu o Instituto Ponte, organização fundada em 2014 por ela e que, há mais de 11 anos, atua oferecendo oportunidades a jovens em situação de vulnerabilidade social por meio de educação de excelência, acompanhamento individualizado e suporte integral às famílias. Reconhecido sete vezes como uma das 100 melhores ONGs do Brasil, o Instituto já impactou centenas de estudantes, promovendo ascensão social real e mensurável.
O Instituto Ponte, que nasceu em território capixaba, se expandiu pras cinco regiões brasileiras e hoje atende 440 estudantes espalhados por 18 estados. A ONG apresenta resultados expressivos. 92% dos formandos de 2025 recebem, em média, 7 vezes mais do que a renda per capita de suas famílias tinham quando entraram no Instituto Ponte. em instituições como ITA, USP, Unicamp, FGV e UFES. Além disso, 45% dos universitários, a partir do segundo ano, já alcançam renda média 5,5 vezes superior à renda per capita de suas famílias. É a ascensão social acontecendo em uma geração.

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“Sou muito cuidadosa com onde invisto meu tempo e energia. Quero estar onde posso fazer a maior diferença”, diz Bartira, que carrega no discurso a convicção de que enxergar o mundo de forma positiva é uma escolha estratégica.
Apesar da liderança institucional, ela reforça que o papel que mais ama é o de mãe. “Conciliar minha vida de mulher, com todas as alegrias e desafios, sempre foi importante. Continuo envolvida com a casa, a família e construindo minha vida de forma que eu seja plenamente realizada.”

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“Ser mãe atípica é renascer junto com o nosso filho. É aprender a enxergar o mundo por outra perspectiva.”
A frase de Pollyana Paraguassú carrega 21 anos de vivência. Mãe de Felipe, diagnosticado ainda bebê com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ela transformou a experiência pessoal em uma causa pública. Hoje, é presidente da Amaes — Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo.
Ela se lembra com precisão do momento do diagnóstico. “Foi um misto de colapso, desespero e alívio. Eu precisava entender como ajudá-lo. Mas também senti um medo enorme: será que ele vai sofrer? Será que vai ser feliz?”
Há duas décadas, falar sobre autismo ainda era raro. Informação era escassa, especialistas eram poucos e o preconceito era mais evidente. Pollyana buscou conhecimento onde fosse possível — em livros, congressos, pesquisas e trocas com outras famílias.
“Foi meu filho que me ensinou que o tempo da vida não precisa ser apressado. Cada conquista é uma vitória”, afirma. A maternidade atípica a transformou — e também redefiniu seu caminho profissional.
Criada em 2001 por pais de pessoas com autismo, a Amaes se consolidou como referência no Espírito Santo. Sob a liderança de Pollyana desde 2016, a instituição ampliou sua estrutura e hoje acompanha semanalmente 1.050 pessoas, beneficiando diretamente mais de 2 mil indivíduos, com média de 7.469 atendimentos mensais.
A atuação vai além do acolhimento. A Amaes oferece atendimento educacional especializado, avaliações, suporte na área da saúde, orientação às famílias e defesa de direitos, além de promover campanhas de conscientização e disseminação de conhecimento sobre o autismo.

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Mas, para Pollyana, o trabalho começa no olhar. “Quando vejo uma mãe que acaba de receber o diagnóstico, reconheço aquele medo. Parece que o mundo mudou de cor. E mudou mesmo. Mas não é o fim. É um recomeço.”
É dessa perspectiva que ela conduz a instituição: com firmeza na gestão e sensibilidade no acolhimento. Sua trajetória mostra que, quando experiência pessoal encontra organização e propósito, nasce um movimento capaz de transformar milhares de vidas.
Durante todo o mês de março, o Orgulho Capaixaba trará mais histórias de Orgulho de mulheres que constrõe o nosso estado com maestria. Fiquem ligados.