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Museu da Arte de Comer

Publicado em: 22/05/2026

Fotos: Olivier Schochlin

Por: Bianca Tápias

 

O que acontece quando a gastronomia deixa de ocupar a mesa e passa a ocupar o imaginário? Em Vitória, o Museu da Arte de Comer (MAC) parte justamente dessa provocação para construir uma exposição em que receitas, sons, arquivos, imagens e experiências performativas reorganizam a maneira como entendemos o alimento, não mais como hábito automático ou ritual social previsível, mas como dispositivo de memória, afeto, identidade e criação contemporânea.

Foto: Olivier Schochlin

Em cartaz na Galeria Homero Massena, a mostra nasce da parceria entre o Clã Arte Studio e o projeto de cozinha experimental Macunaíma, reunindo trabalhos produzidos entre 2022 e 2024 a partir da degustação sensorial “Comer é Arte”, experiência que durante dois anos atravessou Vitória e São Paulo propondo encontros entre culinária, artes visuais, performance e percepção.

Em vez de tratar a comida como elemento ilustrativo ou mero suporte conceitual, o MAC transforma o próprio ato de comer em linguagem artística, deslocando sabores, gestos e memórias para o centro da experiência estética, como se cada prato, cada som e cada registro apresentado funcionasse também como arquivo emocional de um tempo, de um corpo e de uma relação coletiva construída ao redor da mesa.

Existe uma inteligência sensível na maneira como a exposição evita excessos narrativos e escolhe trabalhar a sensação, permitindo que o público atravesse a mostra quase como atravessa uma lembrança: entre fragmentos, estímulos, desejos e reconhecimento íntimos que surgem sem aviso, porque o sabor, afinal, raramente pertence apenas ao paladar.

Fundado em 2000, o Clã Arte Studio desenvolve pesquisas em arte contemporânea com foco nas relações entre artes cênicas e diferentes estéticas do presente, enquanto o Macunaíma, idealizado em 2020 por Murilo Góes, articula estudos e eventos voltados às culturas alimentares e às possibilidades de interlocução entre comida e arte, formando uma parceria que encontra no MAC sua tradução mais madura até agora.

O resultado aparece em vídeos, receitas, instalações, registros e ações performativas que recusam a ideia tradicional de exposição contemplativa e propõem algo mais próximo de uma experiência compartilhada, onde memória, cultura, afeto e convivência deixam de
funcionar como conceitos abstratos e passam a existir como presença.

Com visitação gratuita e classificação livre, a exposição segue aberta ao público até 11 de julho de 2026, ocupando a Cidade Alta com uma proposta que entende a arte menos como objeto e mais como experiência capaz de atravessar o corpo inteiro.

 

Endereço:

Galeria Homero Massena – R. Pedro Palácios, 99 – Cidade Alta, Vitória, ES

 

Horários:

– Segundas, terças, quintas e sextas: das 9h às 18h

– Quartas: das 10h às 20h

– Sábados e feriados: das 10h às 16h

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