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Pós-Natal Capixaba

Publicado em: 26/12/2025

Por: Bianca Tápias

 

O Natal já passou, mas aqui no Espírito Santo ele nunca termina exatamente à meia-noite. Hoje, no dia 26, a cidade acorda diferente… mais lenta, menos iluminada, como quem ainda mastiga o que sobrou da noite anterior – e não é só da comida, mas sim dos encontros entre família e amigos.

As mesas agora carregam sobras de salpicão, travessas já marcadas pelo uso, histórias repetidas e um certo cansaço bom. O ventilador segue ligado, a roupa continua leve, e o chinelo vira uniforme oficial. Não há pressa. O calendário até insiste que o ano está acabando, mas o corpo pede pausa, e um café passado sem cerimônia, acompanhado das sobras que ainda contam histórias.

Lá fora, o calor confirma que estamos onde sempre estivemos. As praias começam a encher, os vizinhos se cumprimentam com menos cerimônia, e o Natal vira assunto de passado recente. Aqui, ele não se despede com neve ou silêncio absoluto, mas com sal no ar, cheiro de comida caseira que insiste em permanecer na cozinha e sol quente. Bem quente.

Talvez seja esse o jeito capixaba de viver o pós-Natal: sem grandes rituais de encerramento, a celebração simplesmente se dilui no verão, na mesa que continua posta, no reaproveitar dos pratos, na conversa que acontece enquanto se decide o que fazer com o que sobrou, a fé, se houve, fica. O excesso vai embora e o que sobra é o mais importante – o convívio, a memória, o descanso e a comida como elo.

No Espírito Santo, o Natal passa, o calor fica e a vida segue, do jeito simples que sempre foi.

Espero que tenham tido um Natal abençoado junto à família e aos amigos, e que tenham uma excelente virada de ano.

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