Créditos das fotos: @photokaschner; @fotop_vix; @_leonardo301; @luna_brunken; @rogeriorochafotografia
Por: Bianca Tápias
O fogo talvez seja uma das formas mais antigas de cozinhar, mas continua encontrando maneiras de parecer novo. Muda o equipamento, muda a técnica, entram outros ingredientes e referências, mas permanecem ali a fumaça, o calor e aquela relação quase instintiva entre comida e brasa.

Foi justamente esse elemento que conduziu o Salt, Fire & Drive Festival, que estreou em Vitória entre os dias 2 e 4 de outubro, na Arena SV, no estacionamento externo do Shopping Vitória, e retorna para uma segunda etapa de 9 a 12 de outubro. E há um detalhe especialmente interessante para nós, capixabas: Vitória foi a cidade escolhida para receber a primeira edição do projeto no Brasil.
Com Henrique Fogaça à frente da proposta gastronômica, o festival reúne três universos que conversam entre si: cozinha de fogo, rock e cultura automotiva. A comida, porém, não aparece como coadjuvante de um grande evento de entretenimento. São 26 receitas distribuídas por 13 estações, explorando preparos na brasa, no carvão, na lenha e técnicas de defumação.
O cardápio percorre caminhos bastante diferentes. Tem costela preparada durante dez horas na brasa, brisket defumado, hambúrguer grelhado no carvão, costelinha suína, sobrecoxa com molho de maracujá defumado, camarão com bacon e abacaxi, yakitori, pizza napolitana, risoto de ossobuco, carbonara com bacon na brasa, linguiça artesanal e opções vegetarianas. Para encerrar, até a sobremesa encontra espaço junto ao fogo.

A gastronomia também saiu das bancadas de preparo para ocupar o palco. Ao longo da programação, aulas-show aproximaram o público desse universo, transformando o ato de cozinhar em outra atração do festival. E, se o fogo conduz a cozinha, o rock ajuda a construir a atmosfera. Bandas e DJs passaram pelo palco durante o primeiro fim de semana, e a programação musical continua no próximo. É essa mistura que diferencia a proposta. O fogo deixa de ser apenas uma técnica utilizada nos preparos e passa a conduzir a identidade do evento, aparecendo nos aromas, nas texturas e na maneira como os pratos são preparados diante do público.
Festivais gastronômicos podem seguir muitos caminhos. Alguns apresentam ingredientes; outros celebram territórios, técnicas ou cozinheiros. O Salt, Fire & Drive escolheu construir sua identidade a partir do encontro entre comida e comportamento, fazendo da brasa o elo entre o que acontece nas grelhas e tudo aquilo que se desenvolve ao redor delas.