Luísa Costa
Em um cenário em que o acesso à cultura ainda é desigual e concentrado, discutir a democratização do espaço urbano tornou-se pauta urgente. A ocupação de praças, ruas e equipamentos públicos com programação cultural não é apenas entretenimento, política pública, desenvolvimento econômico e garantia do direito à cidade. No Espírito Santo, a atuação de Luísa Costa se destaca justamente por transformar a cultura em ferramenta de inclusão, pertencimento e reativação urbana. Um dos nomes à frente do Festival Movimento Cidade, um dos maiores festivais de artes integradas do país, ela defende que democratizar o acesso à cultura também significa ampliar oportunidades e fortalecer a identidade local e as comunidades.
Formada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2016 e com experiência nacional e internacional em Mídia, Relações Públicas e Marketing, Luísa construiu sua trajetória profissional na interseção entre comunicação, gestão cultural e desenvolvimento territorial. A base jornalística contribuiu para a construção de uma visão estratégica sobre narrativa, mobilização social e articulação institucional, competências que se tornaram centrais em sua atuação à frente de projetos de impacto urbano.
Sob sua direção, o Movimento Cidade se consolidou como um dos principais agentes de ativação urbana no Estado. A organização passou a promover festivais, ocupações culturais, experiências formativas e encontros que extrapolam o palco e impactam diretamente o território. Mais do que realizar eventos, a proposta é requalificar espaços, estimular a circulação de pessoas, gerar renda para a cadeia criativa e fortalecer o sentimento de pertencimento.

Em constante crescimento, o Festival MC caminha para sua 8ª edição consolidado como um dos principais eventos de ocupação cultural do Espírito Santo. Com programação plural, o festival reúne música, cinema, batalhas de dança, intervenções urbanas e experiências artísticas que transformam a Prainha em um grande palco a céu aberto, fortalecendo o diálogo entre arte, cidade e pessoas. Desde sua criação, o evento mantém as tradicionais mostras audiovisuais, que se tornaram marca da iniciativa e reforçam o compromisso com a valorização da produção independente e com a democratização do acesso ao audiovisual.
Essa atuação contribui para descentralizar a produção cultural e ampliar o acesso a públicos que historicamente ficaram à margem da programação artística tradicional. Ao levar atividades para áreas abertas e espaços públicos, o movimento reduz barreiras econômicas e simbólicas, aproximando diferentes grupos sociais da experiência cultural.
Para Luísa, o crescimento do festival ao longo das edições reforça a importância de manter e fortalecer espaços públicos como territórios de convivência, expressão e construção coletiva. Segundo ela, o impacto do evento vai além da programação artística e se reflete na forma como as pessoas passam a ocupar e enxergar a cidade.
“O Festival MC é um espaço de encontro e pertencimento. Quando ocupamos os espaços com arte, reafirmamos que o espaço público deve ser vivo, diverso e acessível. O festival cria pontes entre artistas e público, estimula a economia criativa local e mostra, na prática, como a cultura pode transformar a relação das pessoas com a cidade”, afirma.
Mas a atuação do Movimento Cidade vai além da realização do festival anual. Nos últimos anos, a organização consolidou frentes permanentes de formação, empreendedorismo e fortalecimento de comunidades criativas em diferentes territórios do Brasil.
Entre elas está o MC.Mulheres, iniciativa criada para fortalecer a economia criativa e impulsionar a carreira de mulheres negras da cultura. Lançado em 2022, o laboratório reuniu em 4 edições participantes em uma jornada de capacitação em audiovisual, música e empreendedorismo. Em 2023 aconteceu a primeira edição do Festival MC.Mulheres, com uma programação e lineup somente de mulheres que ampliou o alcance da iniciativa e consolidando o protagonismo feminino no universo urbano e artístico.Já em 2026,o projeto ganha nova edição com imersões online e presenciais, mentorias conduzidas por profissionais de referência e a realização de mais uma edição em Salvador.
Outra frente é o Önde há rede há renda, projeto itinerante que leva formações e geração de renda para diferentes regiões do país. Com foco no fortalecimento cultural de causas e comunidades, a iniciativa promove laboratórios imersivos sobre empreendedorismo, além de oficinas, palestras, shows e mostras audiovisuais. Em 2025, o projeto passou por cidades como Guarujá, Boa Vista, Goiânia , promovendo intercâmbio de experiências e fortalecendo redes locais de produção cultural.
Já o MC.Arte atua como plataforma de estímulo e conexão da arte urbana nas comunidades. A iniciativa promove intervenções artísticas, oferece espaço de trabalho para artistas independentes e fomenta o diálogo com moradores e lideranças locais. Desde 2021, já foram realizadas 40 intervenções artísticas na Serra, além de ações formativas, como a Oficina de Graffiti voltada para jovens da comunidade, reforçando o compromisso com educação, identidade e pertencimento.
Para Luísa, o diferencial do Movimento Cidade está justamente na capacidade de manter presença ativa ao longo do ano, articulando iniciativas que dialogam com diferentes territórios e públicos e ampliam o impacto para além dos grandes encontros culturais.
“Para nós, é muito importante pensar a cultura como algo que faz parte da vida das pessoas e não apenas como evento pontual. O que buscamos é gerar continuidade, criar caminhos para que artistas e comunidades sigam produzindo mesmo depois que as luzes se apagam. Essa atuação mais ampla permite que a arte dialogue com educação, empreendedorismo e transformação social. É assim que conseguimos impactar o território de forma mais profunda e duradoura”, conclui.