Em um estado onde o debate sobre crescimento urbano, mobilidade e habitação exige cada vez mais preparo técnico e visão estratégica, a trajetória de Priscila Ceolin se consolida como uma das referências femininas da arquitetura capixaba. Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Espírito Santo (CAU/ES), ela representa uma gestão que reúne qualificação acadêmica, experiência profissional e compromisso institucional.
Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em 2012, Priscila construiu sua base técnica em uma das principais instituições do Estado. Durante a graduação, ampliou sua formação com intercâmbio na Politecnico di Milano, na Itália, uma das universidades mais reconhecidas da Europa nas áreas de arquitetura e design. A experiência contribuiu para ampliar sua visão sobre planejamento urbano, patrimônio e desenvolvimento sustentável.
Em 2017, aprofundou sua atuação ao concluir pós-graduação em Direito Ambiental e Urbanístico pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), fortalecendo sua compreensão sobre os instrumentos legais que orientam o crescimento das cidades e a formulação de políticas públicas.
Ao longo da carreira, participou de projetos arquitetônicos e se envolveu ativamente nas pautas de valorização profissional, defendendo maior inserção da arquitetura nas decisões estratégicas do poder público. Antes de assumir a presidência do CAU/ES, em 2024, já era presença constante nos debates sobre ética, qualificação e fortalecimento da categoria.
À frente do conselho, passou a conduzir uma agenda voltada à ampliação do diálogo com a sociedade e à consolidação da arquitetura como ferramenta de transformação social. Sob sua liderança, o CAU/ES fortaleceu iniciativas de assistência técnica em habitação de interesse social (ATHIS), promoveu capacitações voltadas à atualização profissional e ampliou projetos que conectam mercado, academia e inovação.
Prevista na Lei Federal nº 11.888/2008, a ATHIS garante assistência técnica gratuita para famílias de baixa renda no desenvolvimento de projetos e na construção de moradias de interesse social. No último ano, o CAU/ES também capacitou profissionais para a elaboração de laudos técnicos em moradias localizadas em comunidades vulneráveis.
Para Priscila, a arquitetura é uma ferramenta essencial de transformação social e de política pública.
“Estar à frente do CAU/ES é compreender que nossa atuação vai muito além da categoria profissional. A arquitetura e o urbanismo impactam diretamente a qualidade de vida das pessoas, a organização das cidades e as oportunidades que elas oferecem. Como mulher em um espaço historicamente masculino, tenho consciência de que minha presença aqui representa muitas outras. Liderar é assumir o compromisso de fortalecer a profissão, ampliar o diálogo com a sociedade e contribuir para cidades mais humanas, inclusivas e sustentáveis”, afirma.
Outro marco recente da gestão foi o lançamento do Conecta+CAU/ES, programa estruturado de benefícios que passou a atender mais de 4 mil arquitetos e urbanistas capixabas. A iniciativa reúne vantagens nas áreas de educação, saúde e serviços, consolidando uma política prática de valorização profissional.
Com a entrada de novas parcerias, como a Universidade Vila Velha (UVV) e a Showtime Studio, o programa passou a oferecer descontos em cursos de graduação e pós-graduação, além de benefícios em atividades físicas e acesso a serviços por meio da credencial gratuita do Sesc. A credencial garante condições especiais em hospedagens, clínicas médicas e odontológicas, atividades culturais e lazer.
O Conecta+CAU/ES já conta com quatro empresas parceiras e novas adesões estão em fase de formalização, o que deve ampliar o alcance da iniciativa nos próximos meses.
Para Priscila, a ampliação do programa simboliza uma mudança na forma como o conselho se relaciona com a categoria, aproximando a gestão das necessidades reais dos profissionais e traduzindo representatividade em ações concretas.
“Esse tipo de iniciativa representa uma política efetiva de valorização profissional. Quando incentivamos a qualificação contínua, apoiamos a saúde e ampliamos o acesso a serviços, fortalecemos quem está na linha de frente da transformação das nossas cidades. Cuidar do arquiteto e da arquiteta também significa cuidar da qualidade dos espaços urbanos que entregamos à sociedade”, conclui.
Ao ocupar um dos principais cargos institucionais da arquitetura no Estado, Priscila reafirma a presença feminina em espaços estratégicos de decisão e contribui para consolidar uma agenda urbana mais técnica, participativa e comprometida com o interesse coletivo.