Foto: Antonio Fadini e Cia Poéticas da Cena Contemporânea
O coletivo de fotógrafos cegos foi criado em 2022 e, este ano, leva uma mostra itinerante com 36 imagens a 5 municípios capixabas.
Um verdadeiro refúgio verde em Serra Sede será também um destino para a arte e inclusão. O Jardim Botânico da Serra recebe, a partir de 22 de julho, a exposição da Escola de Fotógrafos Cegos que ficará aberta ao público até 10 de agosto. O trabalho é de autoria do coletivo formado por 12 fotógrafos cegos em 2022 e que já impactou mais de 30 mil pessoas no Espírito Santo.
A passagem pelo Jardim Botânico da Serra faz parte da itinerância 2026 do projeto, que começou no final de maio em Piúma. A exposição apresenta ao público 36 obras, dentre elas 18 imagens inéditas, e já passou também por Anchieta e Aracruz.
A itinerância do trabalho da Escola de Fotógrafos Cegos é acompanhada por ações formativas em todas as cidades. Haverá oficina prática de fotografia aberta ao público em geral, além de visitas mediadas e uma roda de conversa com os artistas participantes na abertura da exposição.
As atividades são abertas a grupos e interessados individuais, mediante inscrição prévia por formulário disponibilizado pela organização no perfil no Instagram do projeto (www.instagram.com/
A Escola de Fotógrafos Cegos é uma iniciativa da Sociedade Cultura e Arte (SOCA Brasil) com produção da Cia Poéticas da Cena Contemporânea. O projeto é viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), com apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES) e do Governo do Estado do Espírito Santo. Conta com o patrocínio da EDP, distribuidora de energia elétrica do Espírito Santo, e do Grupo Águia Branca.
A itinerância de 2026 também conta com os apoios das prefeituras de Piúma, Anchieta, Aracruz, Serra e Cariacica.

Foto: Cinthya de Oliveira e Cia Poéticas da Cena Contemporânea
A nova curadoria apresenta imagens inéditas e recentes, produzidas em diferentes contextos, de cenas urbanas a registros em feiras de rua. Os trabalhos exploram tanto dimensões formais quanto subjetivas da fotografia contemporânea. Entre os recortes, destacam-se ensaios autorais, produções coletivas inspiradas em fábulas como “O Chapeleiro Maluco” e “A Bela Adormecida”, além de explorações visuais que dialogam com memória, sonho e imaginação.
Segundo a coordenadora do projeto, a artista Rejane Arruda, há uma elaboração estética que não é apenas o registro da imagem. “Pensamos com eles a poética visual. Na história da fotografia, em um determinado momento, o borrão e o desfoque passaram a ser um sinal da presença do fotógrafo enquanto humano envolvido e implicado no ato fotográfico, e não simplesmente aquele objeto parado com uma foto nítida. O desfoque e o borrão trazem vida e impressão de movimento”, explica.
O conceito curatorial parte da ideia de que “as coisas mais importantes acontecem quando estamos de olhos fechados”, propondo uma reflexão sobre a subjetividade e o estatuto da imagem. As obras transitam entre o real e o imaginário, abordando temas como afeto, lembrança, fantasia, identidade e outros elementos que emergem com força na produção dos fotógrafos cegos.
Durante as aberturas em cada cidade, fotógrafos cegos estarão presentes conduzindo rodas de conversa sobre o ato fotográfico a partir da experiência da deficiência visual. Os encontros dialogam também com as áreas da filosofia, psicanálise, antropologia e teoria da imagem, ampliando o debate para além do campo artístico.

Foto: Kellezy Barbosa e Cia Poeticas da Cena Contemporanea
Com quase quatro anos de trajetória, a Escola de Fotógrafos Cegos desenvolveu uma metodologia própria que articula fotografia com referências do teatro, cinema e vídeo. As oficinas utilizam jogos teatrais, construção de cenas e experimentações com movimento e luz, estimulando a criação coletiva e individual.
Cada turma conta com até 30 participantes orientados por seis professores, garantindo acompanhamento próximo durante as atividades das oficinas. O formulário de inscrição está disponível no perfil do Instagram (www.instagram.com/
Localizado na região de Serra Sede, o Jardim Botânico Lêonidas Pinto Mori passou por um processo de revitalização, concluído em 2025, que ampliou a estrutura para receber visitantes em busca de contato com a natureza, lazer e atividades ao ar livre.
Entre as melhorias realizadas estão a recuperação da pista de caminhada, do acesso ao mirante, do calçamento e do pórtico de entrada. A área também recebeu deques de madeira, bancos, parquinho infantil, academia ao ar livre e um espaço destinado à instalação de food trucks.
O jardim conta ainda com dois mirantes voltados para as lagoas da área, permitindo a contemplação da paisagem. Outro diferencial é a possibilidade de visitar o local acompanhado de animais de estimação. O Jardim Botânico dispõe de uma praça pet, criada para oferecer um espaço de recreação aos cães.
“Quando Fecho os Olhos Vejo Mais Perto”
Exposição itinerante da Escola de Fotógrafos Cegos
Duração: 100 dias de exposição (20 dias em cada cidade)
Acervo: 36 obras inéditas com nova curadoria
Itinerância 2026 – próximos destinos
Aracruz: até 20 de julho (local atual)
Serra: de 22 de julho a 10 de agosto
Cariacica: de 12 a 31 de agosto
Inscrições para participação nas ações formativas (oficinas e visitas guiadas):
Acesse o formulário: https://forms.gle/