Foto: Will Morais
Primeira prefeita da história de Vitória, Cris Samorini assumiu a gestão da capital capixaba após a renúncia do então prefeito Lorenzo Pazolini, que deixou o cargo para disputar o Governo do Espírito Santo. Em um momento em que Vitória vem ganhando destaque nacional em rankings e indicadores, a prefeita busca dar continuidade a uma agenda de desenvolvimento e investimentos.
Entre as principais frentes para os próximos anos está uma carteira de mais de R$ 3 bilhões em obras, equipamentos e infraestrutura. Segundo Cris, os recursos previstos para os próximos cinco anos serão destinados a áreas como saúde, educação, habitação, mobilidade, urbanização, esporte, cultura e tecnologia. O volume se soma aos R$ 2,74 bilhões já destinados desde 2021 e integra a estratégia de preparar a cidade para crescer de forma planejada, sustentável e com qualidade de vida para os moradores.
A prefeita também destaca a necessidade de Vitória continuar avançando em áreas como modernização dos serviços públicos, atração de empresas e investimentos, turismo e inovação. O primeiro lugar alcançado pela capital no Ranking de Competitividade dos Municípios em 2026 é apontado por Cris como resultado de uma gestão orientada por dados, equilíbrio das contas públicas, digitalização, desburocratização e integração entre diferentes áreas da administração. Para ela, o reconhecimento nacional deve ser utilizado como ponto de partida para novos avanços.

Vitória, ES. Foto: Christian Diego
Natural de Vitória, Cristhine Samorini é empresária e líder capixaba, formada em Administração de Empresas pela Universidade de Vila Velha (2020), com MBA em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral e MBA em Marketing pela FGV. Antes de chegar à Prefeitura, construiu sua atuação profissional principalmente nos setores empresarial e industrial, com experiência em gestão, governança e desenvolvimento.

Foto: Acervo PMV
Entre 2020 e 2024, esteve à frente do Sistema FINDES, tornando-se a primeira mulher a presidir a Federação. Durante o período, dobrou o orçamento da entidade e conduziu um plano de investimentos em unidades escolares, além de atuar em agendas relacionadas à educação profissional, inovação industrial e competitividade. Em 2023, tornou-se a primeira mulher a assumir a Diretoria Financeira da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Também presidiu o Sindicato das Indústrias Gráficas do Espírito Santo (SIGES) e atuou na Abigraf Nacional.
A chegada à Prefeitura representa uma nova etapa em sua atuação, agora na gestão pública. Na entrevista concedida ao jornalista Patrick Lóss, em razão do aniversário de 475 anos de Vitória, Cris Samorini fala sobre os planos para a cidade, os investimentos previstos, o desempenho da capital nos rankings nacionais, o desafio de comandar a cidade e o legado que pretende deixar ao final da gestão.
Patrick Lóss: Vitória foi eleita a cidade mais competitiva do Brasil em 2026. O que esse reconhecimento representa para a capital?
Cris Samorini: Esse reconhecimento mostra que Vitória está no caminho certo e que uma gestão responsável, planejada e orientada por dados gera resultados concretos para a cidade. O primeiro lugar no Ranking de Competitividade dos Municípios é resultado de um trabalho contínuo de equilíbrio das contas públicas, diálogo permanente com a população, desburocratização, digitalização dos serviços e qualificação da gestão.
Também é fruto de uma administração integrada. Saúde, educação, economia, inovação e outras áreas trabalham com metas e indicadores comuns, compartilhando informações e buscando soluções conjuntas para melhorar os resultados para a população. Essa integração é fundamental para criar um ambiente favorável à geração de emprego, à atração de investimentos, ao desenvolvimento do turismo e à melhoria da qualidade de vida.
Mas esse reconhecimento não significa acomodação. O ranking é um termômetro do que já foi realizado e mostra também onde ainda podemos avançar. Nossa obrigação é olhar para os indicadores em que Vitória ainda tem espaço para melhorar e transformar esses desafios em novas prioridades de governo.
A reforma tributária também reforça a importância de Vitória estar preparada. Com mudanças na forma de distribuição da arrecadação, fatores como ambiente de negócios, capital humano, infraestrutura e qualidade de vida serão cada vez mais importantes para a competitividade das cidades.
Por isso, Vitória vai usar essa posição não apenas como reconhecimento, mas como ponto de partida para avançar ainda mais, atrair empresas, fortalecer o turismo, gerar oportunidades e melhorar a vida de quem mora na cidade. No fim, o principal indicador continua sendo aquele que o morador percebe no dia a dia: uma escola melhor, um serviço de saúde que funciona, uma cidade mais qualificada e uma gestão pública que entrega resultados.
Patrick Lóss: Quais são os principais planos da sua gestão para o desenvolvimento de Vitória nos próximos anos?
Cris Samorini: Nos próximos anos, nosso principal compromisso é continuar preparando Vitória para crescer de forma planejada, sustentável e com qualidade de vida para a população. Temos o Plano Vitória 2030, que estabelece metas até 2030 e organiza as ações do município em áreas como desenvolvimento econômico, qualidade de vida, inovação, participação social e acolhimento.
Também temos uma carteira importante de investimentos. Para os próximos cinco anos, estão previstos mais de R$ 3 bilhões em obras, equipamentos e infraestrutura, que se somam aos R$ 2,74 bilhões já destinados desde 2021. Esses recursos estão presentes em áreas como saúde, educação, habitação, mobilidade, infraestrutura, urbanização, esporte, cultura e tecnologia.
Queremos avançar ainda mais na modernização dos serviços públicos, na atração de empresas e investimentos, no fortalecimento do turismo e da inovação e na melhoria da infraestrutura urbana. Ao mesmo tempo, vamos continuar investindo em educação, saúde, habitação e prevenção de riscos, porque desenvolvimento só faz sentido quando melhora concretamente a vida das pessoas.
Vitória precisa olhar para o futuro sem perder aquilo que faz parte da sua identidade: sua relação com o mar, sua história, sua cultura e seus espaços públicos. É esse equilíbrio entre desenvolvimento, inovação, sustentabilidade e qualidade de vida que queremos construir para os próximos anos.
Patrick Lóss: Vitória completa 475 anos. O que essa data representa para a senhora?
Cris Samorini: Completar 475 anos é celebrar uma cidade que tem uma história muito rica, mas que também sabe se reinventar e olhar para o futuro. Vitória conseguiu se transformar ao longo dos anos sem perder suas raízes, sua cultura e a identidade de quem vive aqui.
Para mim, é uma alegria e também uma grande responsabilidade estar à frente da cidade em um momento tão importante. Temos orgulho do que Vitória já conquistou, mas sabemos que uma cidade viva está sempre em transformação.
Celebrar os 475 anos é reconhecer essa trajetória e, principalmente, reafirmar o compromisso de continuar trabalhando para que Vitória seja cada vez melhor para quem mora aqui e para quem nos visita. Uma cidade que preserva sua história, mas que também investe em inovação, infraestrutura, qualidade de vida e novas oportunidades.
Patrick Lóss: Como é, para a senhora, ser a primeira prefeita eleita da história de Vitória?
Cris Samorini: Ser a primeira prefeita eleita da história de Vitória é uma grande honra e, principalmente, uma enorme responsabilidade. Sei da importância histórica desse momento, mas também sei que a população espera de mim trabalho, resultados e uma gestão que faça diferença na vida das pessoas.
Tenho consciência de que ocupar esse espaço também representa a abertura de novos caminhos. Quero que minha gestão seja marcada pela capacidade de ouvir, planejar, unir diferentes áreas e transformar as prioridades da população em ações concretas.
Recebo essa responsabilidade com muita humildade e com a certeza de que governar Vitória é trabalhar todos os dias para cuidar da cidade e das pessoas que vivem nela.
Patrick Lóss: Qual legado a senhora gostaria de deixar para Vitória ao final da sua gestão?
Cris Samorini: Quero deixar uma Vitória mais preparada para o futuro, com uma gestão pública eficiente, contas equilibradas, serviços que funcionam e uma cidade que ofereça mais qualidade de vida para sua população.
Quero que o nosso legado esteja presente na educação, na saúde, na habitação, na infraestrutura, na prevenção de riscos, na inovação e na geração de oportunidades. Mas, acima de tudo, quero que o morador perceba essa transformação no lugar onde vive.
Também quero deixar uma cidade que tenha capacidade de continuar avançando. Uma Vitória que atraia investimentos, gere empregos, fortaleça o turismo, preserve sua história e seu patrimônio e esteja preparada para os desafios das próximas décadas.
No final, mais importante do que qualquer ranking ou indicador é saber que conseguimos melhorar a vida das pessoas. Se o morador sentir que a cidade está melhor, mais acolhedora, mais eficiente e com mais oportunidades, esse será o principal legado da nossa gestão.