Município de Ibatiba. Foto: Fagner Massini
Por: Filipe Machado
Durante uma eleição, ouvimos promessas sobre novas escolas, unidades de saúde, moradias, pavimentação de ruas, saneamento, mobilidade, drenagem e recuperação de espaços públicos.
Mas existe uma pergunta que quase nunca é feita:
Como tudo isso será planejado, contratado, executado, fiscalizado e mantido?
Quase todas as grandes entregas de uma cidade passam, direta ou indiretamente, pela engenharia e pela arquitetura. A qualidade da obra, o prazo de entrega, o custo para os cofres públicos e até a segurança da população dependem de boas decisões técnicas.
Mesmo assim, poucos candidatos apresentam propostas concretas para fortalecer as equipes de engenharia e arquitetura dos municípios.
Não basta anunciar que uma obra será realizada. Antes de começar, é necessário elaborar estudos, projetos, orçamentos, cronogramas, licenças e processos de contratação. Durante a execução, é preciso fiscalizar, controlar os custos e garantir que os materiais e serviços estejam de acordo com o que foi contratado.
Quando essa estrutura técnica é frágil, as consequências aparecem rapidamente: obras paralisadas, contratos aditivados, projetos incompletos, prazos que nunca são cumpridos, custos que aumentam e estruturas que apresentam problemas pouco tempo depois de entregues.
E ainda existe outro ponto quase sempre esquecido: a manutenção do que já foi construído.
Muitas vezes, a campanha eleitoral está concentrada em anunciar novas obras, enquanto escolas, postos de saúde, pontes, praças, sistemas de drenagem e prédios públicos existentes continuam se deteriorando.
Construir gera fotografia. Manter exige planejamento.
Uma gestão pública eficiente precisa das duas coisas.
Por isso, mais do que perguntar quantas obras um candidato pretende realizar, precisamos perguntar:
Não existe boa gestão pública sem engenharia e arquitetura valorizadas. Também não existe obra eficiente apenas com recurso financeiro e vontade política.
É necessário diagnóstico, planejamento, projeto, orçamento, fiscalização e manutenção.
Nesta eleição, antes de perguntar apenas o que será construído, pergunte também como será planejado, quanto realmente custará, quem fiscalizará e como será mantido depois da inauguração.
Porque uma cidade não melhora com promessas de obras.
Ela melhora quando transforma recursos públicos em estruturas seguras, funcionais e duradouras para a população.