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Depois de anos contando histórias do agro, Stefany Sampaio assume nova frente nos negócios da família

Publicado em: 04/09/2026

Engenheira agrônoma passa a liderar a área de turismo de experiência da Ampliê e inicia uma nova fase profissional, que une a trajetória construída no agronegócio à história de uma fazenda centenária de cacau, em Linhares

 

Durante mais de cinco anos, a capixaba Stefany Sampaio percorreu estradas, municípios e propriedades rurais para contar histórias do agronegócio. Engenheira agrônoma e comunicadora, tornou-se conhecida por sua atuação aproximando o público das pessoas, empresas e iniciativas que movimentam o campo capixaba.

Ao longo dessa trajetória, conheceu 70 dos 78 municípios do Espírito Santo e também percorreu outros estados brasileiros e até a China para gravar, produzir conteúdo e acompanhar diferentes realidades do agro.

Agora, aos 30 anos, Stefany inicia um movimento diferente: depois de tantos anos ajudando a comunicar histórias de outras propriedades e negócios, passa a dedicar parte de sua atuação profissional à comunicação da própria história.

A engenheira agrônoma assume a frente de turismo de experiência da Ampliê, empresa da família que há 15 anos atua no desenvolvimento de projetos e eventos voltados ao agronegócio brasileiro. Ao longo dessa trajetória, a Ampliê esteve envolvida na realização de projetos, capacitações, dias de campo, encontros técnicos e grandes eventos ligados ao setor. Entre as iniciativas está o Cacauicultores do Futuro, desenvolvido em parceria com a Nestlé Cocoa Plan e voltado à formação de novas gerações da cacauicultura. Também fazem parte desse histórico iniciativas como a ExpoCacau, desenvolvida para a CocoaAction, dias de campo realizados para o Sicoob e grandes simpósios e encontros técnicos promovidos em oito estados brasileiros.

 

Uma nova frente dentro da Ampliê

A partir de agora, parte desse repertório acumulado ao longo dos anos passa a sustentar uma nova área de atuação da empresa. À frente do projeto, Stefany será responsável pelo planejamento estratégico e desenvolvimento das iniciativas de turismo de experiência da Ampliê, com atuação que deverá envolver consultorias para propriedades e negócios rurais, cursos e conteúdos de formação on-line, além de eventos e experiências presenciais sobre o tema.

A proposta é trabalhar o turismo não apenas como visitação, mas como uma possibilidade de geração de valor para propriedades rurais a partir daquilo que cada negócio possui de singular: sua produção, sua história, sua família, sua cultura, seus produtos e sua relação com o território.

“Queremos trabalhar o turismo de experiência para além da visitação. Existe estratégia por trás de uma propriedade que decide receber pessoas. É preciso entender sua identidade, estruturar a experiência, pensar público, operação, comunicação e modelo de negócio. É essa visão que queremos desenvolver dentro da Ampliê”, explica Stefany.

 

O primeiro projeto começa dentro de casa

A Fazenda Santa Clara, propriedade centenária produtora de cacau arrendada pela família de Stefany do produtor Emir de Macedo, está localizada em Linhares, no Norte do Espírito Santo, será o primeiro espaço para desenvolvimento dessa nova fase.

A proposta é estruturar experiências ligadas ao cacau, à Mata Atlântica, à abelhas sem ferrão, à gastronomia, à história da propriedade e aos saberes construídos ao longo das gerações.

Mais do que simplesmente abrir as porteiras para visitantes, o objetivo é permitir que as pessoas compreendam e vivenciem aspectos que normalmente permanecem distantes de quem está nos centros urbanos: de onde vem o cacau, como funciona uma propriedade, quem são as pessoas por trás da produção e quais histórias permitiram que uma fazenda atravessasse gerações.

A decisão também possui um componente pessoal. “Meu avô era cacauicultor, então existe uma relação afetiva muito forte com essa história. Ter hoje a oportunidade de olhar para uma fazenda centenária e pensar em como podemos construir o próximo capítulo dela é motivo de muito orgulho para mim. Não é apenas um novo projeto profissional, é também uma forma de valorizar aquilo que veio antes de nós”, conta.

O movimento de aproximação com a propriedade não surgiu agora. Segundo Stefany, abrir novos caminhos para a fazenda já era um desejo de seus pais, mas a decisão de assumir diretamente esse processo amadureceu ao longo dos últimos anos.

“Esse movimento já era um desejo dos meus pais. Eles enxergavam há algum tempo a possibilidade de abrir a fazenda e compartilhar tudo o que existe ali. Eu estava vivendo outros momentos da minha carreira e, aos poucos, percebi que era hora de abrir novos horizontes e olhar também para aquilo que estava dentro de casa. Talvez eu precisasse percorrer tantos lugares para entender o valor da história que nós também temos para contar.”

 

Da Fazenda Santa Clara para outras propriedades

A Fazenda Santa Clara será também um espaço de desenvolvimento e aplicação das estratégias dessa nova frente.

A intenção é construir, experimentar e aperfeiçoar na própria propriedade aspectos relacionados à jornada do visitante, operação, comunicação, produtos, parcerias, experiências e modelo de negócio.

Mas o projeto não termina na porteira da família. A partir da experiência acumulada pela Ampliê e da vivência prática desenvolvida na Santa Clara, a nova frente pretende atuar também com consultoria e formação para propriedades e negócios rurais interessados no turismo de experiência.

“Quero transformar todo esse repertório em um negócio estruturado. A Fazenda Santa Clara será o primeiro lugar onde vamos desenvolver e testar essas experiências com o cacau, mas a intenção é ir além da nossa porteira. Assumo a frente de turismo de experiência da Ampliê também com o propósito de ajudar outras propriedades rurais a identificarem o que têm de único e transformarem isso em experiências que gerem valor, renda e conexão com as pessoas.”

A aposta acompanha uma transformação no próprio comportamento do turista. Dados do Ministério do Turismo apontam o turismo rural como uma possibilidade de diversificação das atividades das propriedades, valorização dos produtos locais, preservação cultural e geração de novas oportunidades de renda no campo.

 

Um caminho que conecta passado e futuro

Apesar de representar uma nova fase profissional, o movimento reúne elementos que sempre estiveram presentes na trajetória de Stefany: agronomia, comunicação, desenvolvimento rural, cacau e sucessão.

Além disso, um dos projetos que marcaram a história da Ampliê, o Cacauicultores do Futuro, que foi desenhado por ela em 2019, nasceu justamente com a proposta de capacitar jovens e estimular a sucessão nas propriedades produtoras de cacau. Anos depois, o tema passa também a fazer parte da própria história familiar.

Stefany conta que ela não deixa o agronegócio para entrar no turismo, mas passa a enxergar o turismo como mais uma possibilidade de desenvolvimento dentro do próprio agro.

Depois de percorrer quase todo o Espírito Santo, entrar em inúmeras propriedades e dedicar anos a comunicar as histórias de quem vive do campo, o novo rumo profissional começa em um endereço muito mais próximo. Depois de tantos quilômetros percorridos para encontrar boas histórias no campo, chegou a hora de Stefany comunicar também a sua própria história.

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