Por Eng. Filipe Machado
Construir ou reformar um imóvel representa um investimento importante para famílias, empresas e condomínios. Entretanto, uma decisão frequentemente negligenciada pode comprometer todo o planejamento financeiro: a escolha da modalidade de contratação da obra.
Muitos proprietários comparam orçamentos e escolhem o menor preço sem perceber que propostas aparentemente semelhantes podem representar riscos completamente diferentes.
Na empreitada por preço global, a construtora assume a execução de um escopo previamente definido por um valor total. É um modelo que oferece maior previsibilidade financeira, especialmente quando existem projetos completos e especificações detalhadas.
Porém, preço fechado não significa ausência de custos adicionais. Alterações de projeto, serviços não previstos e situações contratualmente justificadas podem resultar em aditivos.
Já na obra por administração, o proprietário normalmente assume os custos efetivos da construção e remunera a empresa administradora por uma taxa ou honorários.
Imagine uma obra estimada em R$ 500 mil, com taxa de administração de 15%. O custo total seria de R$ 575 mil. Entretanto, se as despesas aumentarem para R$ 650 mil, o valor poderá chegar a R$ 747,5 mil, considerando a mesma taxa sobre todos os custos.
Isso demonstra que, dependendo do contrato, o aumento das despesas também eleva a remuneração da administradora.
Existe ainda a empreitada por preços unitários, na qual o pagamento ocorre conforme as quantidades efetivamente executadas. É comum em reformas e recuperações estruturais, mas exige controle rigoroso das medições para evitar cobranças indevidas e aumentos inesperados.
Afinal, qual modalidade é melhor?
A resposta depende das características da obra, do nível de detalhamento dos projetos e da capacidade de acompanhamento do contratante.
Ao longo da minha atuação em auditorias e perícias de engenharia, observo que muitos conflitos poderiam ser evitados antes mesmo da assinatura do contrato.
Uma análise técnica independente permite identificar riscos, avaliar orçamentos, estabelecer critérios de pagamento e esclarecer responsabilidades.
Mais do que encontrar o menor preço, é necessário compreender o que está sendo contratado e quais riscos estão sendo assumidos.
Uma obra verdadeiramente econômica não é aquela que começa mais barata, mas aquela que termina com qualidade, segurança e custos controlados.
Preservar o patrimônio também significa tomar decisões bem fundamentadas antes de construir.