Crédito: Mateus Aguiar
A cantora e rapper capixaba Budah vive um dos momentos mais importantes de sua carreira. Nascida em Vila Velha e criada em Cariacica, Brenda Rangel, nome de batismo da artista, foi indicada ao Grammy Latino 2026 com o álbum “Frequência Lunar”, na categoria Melhor Álbum de Música Urbana em Língua Portuguesa. O anúncio foi feito em 16 de setembro e colocou o nome do Espírito Santo entre os destaques de uma das principais premiações da música latina.
A conquista chega em um ano de importantes realizações para a artista. Em 2026, Budah lançou seu segundo álbum de estúdio, iniciou uma turnê nacional e estreou no palco do Rock in Rio. Nesta sexta-feira (30), ela soma mais um momento especial à agenda: será responsável pela abertura do show da cantora britânica Jorja Smith, no Espaço Unimed, em São Paulo. Fã declarada da artista, Budah considera o encontro mais uma realização pessoal e profissional.

Crédito: Mateus Aguiar
Em entrevista exclusiva ao Orgulho Capixaba, a cantora falou sobre o significado da indicação ao Grammy, as expectativas para a premiação e os próximos passos de sua carreira. Também relembrou sua formação na cena hip-hop do Espírito Santo, destacou a importância das experiências vividas no estado e falou sobre o carinho dos capixabas, que acompanham e celebram suas conquistas.
Confira a entrevista completa:
1. O que a indicação do Grammy Latino representa para você neste momento da sua carreira?
BUDAH: Parece que a ficha ainda não caiu (risos). O Grammy sempre pareceu um lugar muito distante para mim e, de repente, ver meu nome e o meu álbum FREQUÊNCIA LUNAR ali é muito especial! Esse ano de 2026 tem sido um ano incrível, de realizar sonhos: lancei um álbum em que acredito muito, comecei uma turnê, subi no palco do Rock in Rio pela primeira vez e agora veio a minha primeira indicação ao Grammy Latino. Então sinto que é uma confirmação de que todo o trabalho, todas as escolhas e tudo o que construí junto com a minha equipe estão chegando a lugares que eu sonhava, mas que talvez nem imaginasse alcançar tão cedo… Quero que isso tudo possa inspirar outras pessoas, especialmente meninas negras, a acreditarem que elas podem ocupar esses espaços.
2. “Frequência Lunar” é um trabalho muito pessoal. Como se sente ao ver esse álbum chegando a uma premiação desse tamanho?
BUDAH: É muito emocionante porque FREQUÊNCIA LUNAR tem muita verdade. É um álbum que nasceu de coisas que eu vivi, observei e ouvi de outras mulheres, inclusive de fãs que dividiram histórias comigo. É um disco sobre sentimentos, liberdade, autoestima, vulnerabilidade, sobre entender quem você é e não precisar se encaixar em padrões. Eu também me permiti experimentar muito musicalmente e mostrar outras camadas minhas. Então ver justamente esse trabalho sendo reconhecido pelo Grammy Latino me deixa muito orgulhosa. É como se algo que começou de um lugar tão íntimo tivesse encontrado muitas outras pessoas e agora chegasse a um espaço enorme.

Capa “Frequência Lunar”. Budah
3. Qual é a importância do Espírito Santo na sua formação como artista e como pessoa?
BUDAH: O Espírito Santo é a minha base. Foi onde eu cresci, onde comecei a entender quem eu era e onde tive meus primeiros contatos de verdade com o hip-hop. Na adolescência, eu estava presente nos eventos de batalhas de rima, no grafite, acompanhando aquela cena e aprendendo muito com tudo aquilo. E acho que tem uma coisa muito forte também na diversidade musical do Espírito Santo. Eu cresci ouvindo muita coisa diferente, porque é um estado onde convivem pagode, reggae, forró, samba, funk, rap… Tudo isso acaba entrando na gente. Hoje posso morar em outro lugar, viajar, conhecer outras cenas, mas não tem como separar a artista que eu me tornei do lugar onde comecei.
4. O que você leva da cena capixaba para a sua carreira até hoje?
BUDAH: Levo principalmente a minha formação dentro do hip-hop e essa vontade de fazer acontecer. Comecei acompanhando as batalhas, depois ajudando na organização, convivendo com artistas e pessoas da cultura de rua. Foi ali que criei coragem também pra mostrar que eu cantava. E crescer artisticamente fora do eixo Rio-São Paulo também te ensina muita coisa. Nem sempre existem as mesmas oportunidades ou estruturas, então você aprende a buscar caminhos, a insistir e a valorizar muito cada espaço conquistado. Acho que carrego essa força comigo até hoje.

Crédito: Mateus Aguiar
5. Como é perceber o carinho e o orgulho dos capixabas diante de uma conquista como essa?
BUDAH: É muito bonito, porque eles conhecem um pouco do caminho que existe antes dessa indicação. Tem gente que me acompanha desde quando eu estava começando na cena capixaba, lançando minhas primeiras músicas, e agora poderem ver o meu nome chegando ao Grammy Latino é muito emocionante. Quando volto para o Espírito Santo encontro a minha família, amigos e pessoas que acompanham meu trabalho há muito tempo, e isso mexe muito comigo. Recentemente, quando voltei para me apresentar no Movimento Cidade, falei justamente sobre como era especial reencontrar esse público que sempre me acompanhou e torceu por mim. Então sinto que essa conquista também é um pouquinho deles.

Crédito: Mateus Aguiar
6. O que mais te orgulha em ser capixaba?
BUDAH: Acho que o que me orgulha é vir de um lugar tão diverso e poder carregar um pouco dessa identidade comigo para onde eu for. O Espírito Santo tem muita cultura, muita música e muitos artistas incríveis, mesmo estando fora do eixo onde grande parte da indústria está concentrada. Eu sei o quanto foi difícil sair dali e chegar a determinados espaços. Por isso, quando estou em um palco grande, quando levo meu trabalho para fora do Brasil ou quando vejo meu álbum indicado ao Grammy Latino, gosto de pensar que também estou mostrando que tem muita potência vindo do Espírito Santo.
7. Depois dessa indicação ao Grammy Latino, quais são os próximos sonhos e objetivos que você quer realizar na música?
BUDAH: A indicação não diminui os sonhos, acho que faz a gente sonhar ainda mais. Quero continuar levando FREQUÊNCIA LUNAR para os palcos, fazer essa turnê crescer, conhecer novos lugares e levar minha música cada vez mais longe. Quero continuar experimentando, fazendo colaborações que me desafiem e fortalecendo também essa conexão internacional que venho construindo nos últimos anos. Já tive experiências que foram muito importantes para mim fora do Brasil, como o Colors, o Live from Vevo em Nova York e a parceria com o Wyclef Jean, e quero ampliar cada vez mais essas pontes. O Grammy é um sonho enorme, mas quero que seja parte de uma caminhada ainda maior.
8. Quais são as suas expectativas para a cerimônia do Grammy Latino e para viver esse momento?
BUDAH: Quero aproveitar tudo. Acho que vai ser aquele tipo de momento em que a ficha vai caindo aos poucos. Só de poder estar ali, vivendo a minha primeira indicação, ao lado de tantos artistas que admiro, já vai ser muito especial. Claro que existe expectativa, ansiedade, aquele frio na barriga, mas quero tentar guardar cada detalhe. Independentemente do que acontecer, chegar até aqui com FREQUÊNCIA LUNAR, um álbum que representa tanto quem eu sou hoje, já é uma conquista muito grande para mim.

Crédito: Mateus Aguiar
9. Deixe uma mensagem para os capixabas que estão acompanhando e vibrando esse momento com você.
BUDAH: Quero agradecer muito a todo mundo do Espírito Santo que está vibrando comigo. Eu nunca esqueço de onde vim e de tudo que vivi antes de chegar aos lugares que estou ocupando hoje. Foi no Espírito Santo que tudo começou e que entendi que a música era o meu caminho. Então receber esse carinho agora, num momento tão especial, significa demais para mim. Espero que cada conquista minha também mostre para outros artistas capixabas que os nossos sonhos podem atravessar fronteiras. Essa indicação é minha, da minha equipe, da minha família que me apoia muito e de todo mundo que acredita e torce por mim. Obrigada por estarem comigo!
Como um verdadeiro Orgulho Capixaba, Budah mantém a conexão com o lugar onde tudo começou. A indicação ao Grammy Latino representa uma conquista individual e coletiva, que também evidencia o talento de artistas que surgem fora dos grandes centros da indústria musical.