Reprodução / A Gazeta
Por: Filipe Machado
A paisagem da Grande Vitória é marcada por edifícios cada vez mais altos e por milhares de construções que já começam a entrar em ciclos importantes de manutenção.
Fachadas precisam de pintura, recuperação de revestimentos, correção de infiltrações, tratamento de fissuras e substituição de materiais. Junto com essa necessidade cresce também um desafio: realizar essas intervenções com planejamento e segurança.
O acidente registrado nesta quarta-feira (7), na Praia da Costa, em Vila Velha, colocou novamente essa discussão em evidência. Um andaime suspenso utilizado em uma reforma de fachada caiu durante sua desmontagem, deixando trabalhadores feridos.
A causa ainda está sendo investigada e, tecnicamente, não é possível atribuir responsabilidade ou apontar uma falha específica antes da conclusão das apurações.
Para o perito em engenharia Filipe Machado, porém, ocorrências dessa natureza servem de alerta para a complexidade das intervenções executadas em edifícios ocupados.
“Quando o morador olha uma obra de fachada, normalmente enxerga pintura, revestimento ou recuperação do prédio. Por trás disso existe uma operação de engenharia envolvendo acesso em altura, equipamentos, proteções, procedimentos de execução e diferentes profissionais.”
A manutenção das edificações também não deveria começar quando uma situação se torna emergencial.
Um plano de manutenção predial permite que o condomínio organize previamente as inspeções e intervenções necessárias, evitando que problemas sejam tratados apenas quando já apresentam maior gravidade.
Isso ganha ainda mais importância em cidades litorâneas. Edifícios próximos ao mar estão expostos continuamente à umidade, maresia, chuva, vento e outros agentes que exigem acompanhamento periódico das fachadas e demais sistemas da construção.
As próprias manifestações existentes precisam ser corretamente investigadas. Fissuras, infiltrações, corrosão e desplacamentos podem ter origens distintas, e a engenharia diagnóstica busca justamente identificar a causa antes da definição do reparo.
Segundo Machado, o condomínio também precisa compreender que obra de fachada não termina quando o último revestimento é aplicado.
“A mobilização e a desmobilização fazem parte da intervenção. Equipamentos temporários precisam ser instalados, utilizados e retirados seguindo procedimentos adequados. O planejamento precisa contemplar todas essas etapas.”
O crescimento e envelhecimento do patrimônio imobiliário capixaba tornam essa discussão cada vez mais relevante.
Preservar um edifício não significa apenas recuperar sua aparência. Significa também organizar manutenção, contratar corretamente, fiscalizar a execução e proteger trabalhadores, moradores e pessoas que circulam ao redor da construção.
O acidente da Praia da Costa ainda deverá ser tecnicamente esclarecido. Mas o alerta permanece: quanto mais verticalizadas se tornam nossas cidades, mais profissional precisa ser a gestão das obras realizadas nesses edifícios.